Editorial.

381: sonho adiado, de novo

Publicado em 09/06/2016 às 06:00.Atualizado em 16/11/2021 às 03:48.

Sete dos oito lotes para a duplicação da BR-381, de BH a Governador Valadares, em um total de 303 quilômetros, foram entregues pelo Dnit a concessionárias em meados de 2013. Os contratos, comemorados à época, já que finalmente a duplicação sairia do papel, “rezavam” que, até fevereiro de 2017, todas as obras estariam prontas.

Porém, como grande parte das coisas no Brasil, o prazo não será cumprido e quem sairá no prejuízo é a população que precisa da estrada e os empresários que necessitam escoar a produção pelo principal corredor de transportes no Leste do Estado. Além disso, a rodovia liga Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo. O trecho da capital à divisa do Estado com o Espírito Santo é o que possui as piores condições de tráfego de toda malha rodoviária brasileira.

A inviabilização de uma variante na altura de Santa Bárbara, na região Central – em função de aumento significativo de custos, na casa de R$ 8 bilhões –, fará com que os projetos dos lotes 4, 5 e 6 (entre Nova Era e Barão de Cocais) precisem ser refeitos. De acordo com a Superintendência do Dnit em Minas, ouvida pela reportagem do Hoje em Dia, significa dizer que esses contratos e, consequentemente, a duplicação voltarão à estaca zero.

A única certeza que se tem é que, em 2016, o esforço que será feito se restringe à tentativa de preservação de intervenções já realizadas para evitar retrabalho

A Rodovia da Morte, como infelizmente é conhecida a estrada, além de ser uma das mais movimentadas de Minas, é muito sinuosa. Ao todo, são mais de duzentas curvas em um trecho de 100 quilômetros, entre BH e João Monlevade. Uma das propostas do projeto era reduzir o número de curvas, trazendo mais segurança para os usuários da rodovia e diminuindo o tempo de viagem entre as duas cidades. 

Se antes de o Brasil atingir o auge da crise já havia um adiamento da entrega da duplicação para 2019, agora que as verbas do governo federal estão em redução – foram disponibilizados R$ 60 milhões dos R$ 130 milhões solicitados para as intervenções –, não há nem previsão inicial. 

O dinheiro já “em mãos” será utilizado para recapear o trecho entre a capital mineira e Ipatinga, o que não era feito há 12 anos na espera da duplicação. É o que pode ser viabilizado agora pelo Dnit, coisas da burocracia, o dinheiro é outro, vem de um centro de custos diferente daquele que “toma conta” da duplicação. Mais uma amostra da inabilidade do poder público em resolver problemas, em dar ao brasileiro o mínimo de conforto e segurança para viver bem.

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