Todo mundo tem direito de se candidatar, mas a pulverização de concorrentes no primeiro turno das eleições municipais, como ocorreu Belo Horizonte, praticamente inviabilizou o debate de alto nível sobre a cidade. Agora, com apenas dois postulantes, espera-se o início verdadeiramente da campanha eleitoral.
O que se viu na propaganda eleitoral e nos debates para a Prefeitura de BH até agora pouco acrescentou para a população. Os candidatos ficaram mais preocupados com táticas impostas por marqueteiros para ganhar mais votos do que apresentar suas propostas para a cidade. Tudo bem que o tempo foi pouco na propaganda da TV, mas todos os jornais, TVs e rádios deram um bom espaço para os concorrentes, mas a maioria aproveitou muito pouco.
Esperamos que, agora, algumas questões entrem de vez na pauta dos debates e dos programas eleitorais, com os candidatos tendo tempo para explicar como vão fazer aquilo que apresentaram como solução.
Um exemplo é a situação das Umeis, tão aclamada e que todos prometeram expandir. O modelo de escola infantil é extremamente elogiado, mas está longe da perfeição. Primeiro, porque não está universalizado e é preciso dinheiro para construir mais escolas em todas as regiões da cidade.
Segundo, porque há uma luta histórica dos profissionais de educação das Umeis serem reconhecidos como professores “normais” da rede pública – como são os do ensino fundamental. A categoria já realizou várias paralisações com essa reivindicação. Como resolver esse impasse sem prejudicar uma iniciativa que está dando certo? Até agora, ninguém disse.
A questão do trânsito e da mobilidade urbana é outra que ficou em uma discussão rasa e sem avanços entre os concorrentes à PBH. Prometer empenho para ampliar o metrô, que depende pouco do prefeito, todo mundo já prometeu. Mas enquanto o sistema não vem? E se ele não for construído? Quais as alternativas que os candidatos apresentam e como fazê-las? Como resolver o impasse sobre a responsabilidade de gerenciamento do sistema? Essas questões precisam ser respondidas.
O eleitor também poderá, enfim, analisar melhor as propostas e fazer uma opção mais segura para os próximos quatro anos. Que vença aquele que a população achar o melhor!