Editorial.

A chuva, sempre ela, exige atenção

Publicado em 15/01/2020 às 19:33.Atualizado em 27/10/2021 às 02:18.

A história recente de Belo Horizonte – por recente, consideremos as quatro últimas décadas –, tem sido marcada pela tentativa insistente de enfrentamento de uma questão especialmente preocupante neste período do ano: as chuvas e seus efeitos. As enchentes do Arrudas que atingiam toda a região central, felizmente, fazem parte de um passado do qual ficaram apenas imagens e lembranças.

O morador da cidade sabe bem, no entanto, que não foi o suficiente para impedir que, a cada dezembro ou janeiro, se repitam as cenas de avenidas cobertas pela água; enxurradas e deslizamentos, provocando danos de diversas montas. Em algumas regiões, como em Venda Nova, uma triste rotina dos verões.

Cobra-se, com razão, uma ação mais efetiva do poder público, mas, muitas vezes, ignora-se algo a que qualquer administração municipal, por mais preocupada em mitigar os efeitos e prevenir novas tragédias, dificilmente consegue responder a contento. 

A cidade tem sido palco de uma expansão muitas vezes desordenada, por regiões geologicamente instáveis e sem os devidos cuidados de projeto e engenharia. Da mesma forma, é inegável a redução na cobertura vegetal (que poderia ajudar a absorver o excesso de água). Os caminhos para escoar volumes de precipitação que podem passar dos 100 milímetros (como se prevê até domingo) são cada vez mais tortuosos.

Se nas vilas e favelas há um esforço no sentido de garantir condições de urbanização, situação mais complicada envolve áreas invadidas ou com construções que desrespeitam a legislação vigente – e basta lembrar que levantamento aerofotogramétrico feito com a ajuda de drones identificou 19 mil imóveis com características (área construída, pavimentos) diferentes das registradas, para efeito de cobrança do IPTU.

O descarte adequado do lixo; a preocupação com o escoamento de bueiros; o emprego de profissionais (engenheiros civis e de solos) em projetos de construção e ampliação são componentes importantes para evitar consequências mais graves no período chuvoso. Sem proselitismo simples, trata-se de mais uma questão em que governo e autoridades têm muito a fazer, mas também os cidadãos, por meio de escolhas e rotinas. A chuva não vai parar nos próximos meses e anos, mas seus efeitos podem ser bem menos dramáticos.

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