Editorial.

A complicada equação dos imóveis em BH

Publicado em 02/03/2020 às 20:26.Atualizado em 27/10/2021 às 02:49.

O ano de 2019 chegou ao fim com um cenário impensado para os preços dos imóveis em Belo Horizonte. Se o quadro ainda era de arrefecimento em termos de procura, o valor médio do metro quadrado na capital cresceu 7,21% em relação a 2018, ou quase duas vezes a elevação da inflação do período.
Fruto de uma ciranda explicada com a redução do número de lançamentos de novos empreendimentos, devida, em parte, à demanda esfriada, mas também à diminuição de financiamentos pelo programa Minha Casa, Minha Vida, de unidades para camadas de mais baixa renda. O que levou as construtoras a pisar no freio, à espera de condições mais favoráveis.

De certa forma elas se apresentam agora, com déficit no número de unidades novas à venda (são 18,65% a menos do que há um ano), ainda que, em termos gerais, as expectativas econômicas para o país sejam de um crescimento discreto.

Por outro lado, há obstáculos logísticos a superar e que vão além da simples iniciativa da construção civil em promover o reaquecimento do setor. A começar pela pequena extensão territorial disponível para proporcionar uma expansão predial significativa. Regiões como as do Castelo e do Belvedere representaram uma espécie de “última fronteira” em termos de potencial de crescimento.

Além disso, a entrada recente em vigor do novo Plano Diretor da capital modificou sobremaneira as condições de uso e ocupação do solo. Por um lado, determinando novas regras em termos de manutenção de áreas verdes e extensões construídas. Por outro, com a adoção da outorga onerosa, cria-se um custo extra para os empreendimentos de maior porte (coeficiente superior a 1, ou área construída maior que a do terreno).

Os lançamentos, especialmente para as classes média e alta, devem ser retomados este ano. Com algum atraso, é verdade, diante da demora para a tramitação da nova legislação na Câmara Municipal. É de se questionar se efetivamente ajudarão a dar fim ao gargalo em termos de ofertas. O que já se prevê é o aquecimento de um fenômeno já em curso: a busca pelas cidades da Região Metropolitana, onde se registrou queda no valor do metro quadrado. Pelo olhar do consumidor, espera-se que, em 2020, haja aumento na oferta e redução no preço médio.
 

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