Editorial.

A crise e o pátio das montadoras

Publicado em 18/05/2016 às 21:42.Atualizado em 16/11/2021 às 03:30.

O setor automotivo é um dos mais importantes do país quando se analisa a indústria brasileira. Historicamente sempre foi grande empregador de mão de obra, não só diretamente, como por meio das empresas da cadeia produtiva: as fornecedoras de autopeças. Mas a crise afetou o setor, as vendas de carros vêm despencando desde 2014, levando a uma dispensa de funcionários nunca vista nessa cadeia produtiva. Os licenciamentos caíram cerca de 33% e a produção foi 26% menor no ano passado, segundo a Anfavea. 

Nos últimos três anos foram 31,6 mil postos de trabalho fechados no Brasil. Mais de 11 mil trabalhadores perderam o emprego só no ano passado, na produção de veículos automotores, agrícolas e rodoviários.

A situação do setor é tão grave que a capacidade instalada das montadoras com sede no Brasil representa atualmente o dobro da demanda. E não há expectativa de que a situação se altere tão cedo. 

A Fiat Automóveis era orgulho de Minas Gerais, gerando receita de impostos para o Estado e para o município de Betim – que se antes dispunha de uma excelente arrecadação, está agora em estado de calamidade financeira. Agora, a montadora e a Volkswagen são afetadas de forma direta pela interrupção de fornecimento de assentos veiculares da fábrica Keiper, reflexo dessa crise. A empresa acabou retomando ontem a produção, mas a instabilidade gera insegurança no setor.

As concessionárias sofrem os efeitos da crise, a reboque da redução da produção das montadoras, tendo que fechar lojas e demitir funcionários. Fazem promoções, mas não conseguem atrair o consumidor, com receio de trocar de carro neste momento de retração da economia como um todo. 

A visão de pátio cheio é o oposto de alguns anos atrás, quando o setor crescia vertiginosamente. Em 2012 o otimismo levava os analistas a preverem 5 milhões de carros vendidos em 2017. Os emplacamentos não chegarão a tanto.

Desonerações de IPI e sobretaxa para os importados foram esperadas pelo setor automotivo no governo de Dilma Rousseff. Mas não vieram, e agora os empresários esperam que a gestão de Michel Temer acene com alguma vantagem. O setor acostumou-se a receber incentivos do governo ao longo de 60 anos. Mas com a retração do mercado consumidor, não há muito o que se fazer, a não ser esperar que as medidas do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, surtam efeito e o país volte a crescer.

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