O torcedor celeste virou o ano esperançoso, em meio ao cenário de crise, com a criação de um núcleo gestor transitório composto por notáveis dispostos a passar o clube a limpo e liderar o esforço de reconstrução. Missão nada simples considerando o montante da dívida do clube, estimado em mais de R$ 700 milhões, que envolvem compromissos imediatos que, se não cumpridos, podem levar a sanções pesadas por parte da Fifa.
Seria equivocado, embora tentador, acreditar que os empresários assinariam cheques em branco ou empenhariam dinheiro próprio na tentativa de salvar o Cruzeiro de seu momento mais delicado em 99 anos de história. Algo parecido até ocorreu, embora em outro contexto, e em condições certamente menos complicadas que as atuais.
A descoberta da real extensão do que foi feito nas últimas gestões; ainda as diferenças políticas e as perspectivas cada vez mais sombrias para o futuro próximo fizeram com que alguns dos integrantes do grupo voltassem atrás em seu engajamento – o último deles, nesta quinta-feira, o empresário Pedro Lourenço. Levando com ele Alexandre Mattos que, embora de malas prontas para atuar no futebol inglês, se comprometeu a colaborar informalmente, valendo-se do currículo como diretor de futebol que levou a Raposa a seus dois últimos títulos brasileiros (2013/2014).
Não há como dizer que não tentaram; criticá-los pelo recuo, diante de uma caixa preta que vem sendo aberta de forma fracionada e, a cada descoberta, revela um cenário ainda mais preocupante.
A torcida, é bom que se diga, fez sua parte na única oportunidade que teve de ajudar, ao adquirir os novos uniformes, frutos de uma parceria definida como draconiana nos bastidores, e que ainda será revista.
Não há, no entanto, como se engajar de forma ainda mais direta quando o que prevalece ainda são interrogações. E as poucas certezas se dissolvem como neve ao sol. Quem fica? Quem sai? Como o valor devido será equacionado? Quais os resultados das investigações sobre as irregularidades administrativas?
É necessário um norte, um rumo, que não pode esperar, sob pena de uma instituição gigantesca, próxima a completar o centenário, não ter a chance de retomar sua história de glórias.