Muitos fatores explicam a recente escalada do dólar, na qual a moeda norte-americana chegou a bater a casa dos R$ 4,20, nesta semana. Um dos principais é a indefinição do cenário eleitoral brasileiro.
O humor dos investidores, como gostam de dizer os especialistas, tem oscilado a cada nova pesquisa sobre a corrida ao Palácio do Planalto. O que determina a direção em que eles vão – escolha que faz o dólar subir ou cair – é a avaliação quanto aos candidatos que mais têm chance de ir ao segundo turno e de vencer a disputa.
Se despontam, em determinado momento, aqueles que pareçam mais comprometidos com o ajuste fiscal, tido como crucial para equilibrar as contas públicas e retomar os investimentos no país, a moeda abaixa de preço. Já se os postulantes que se sobressaem são menos afeitos a fazer reformas no Estado, ela aumenta.
Além disso, a guerra comercial entre norte-americanos e chineses, com sobretaxas a importados de ambos os lados, a alta dos juros nos Estados Unidos, que atrai investidores para lá e fortalece o dólar, e a pura e simples especulação, característica do mercado, elevam as incertezas e reforçam o desajuste cambial.
Reportagem desta edição mostra como alguns setores, em Minas, têm se comportado nesse cenário.
Há quem considere a alta do dólar positiva para os negócios, como conhecida produtora de pães de queijo e uma loja de moda, que pensam em expandir seus mercados no exterior. Para exportadores, quanto mais alta a moeda americana, melhor.
Também há os que, por lidar diretamente com produtos importados, mais caros a cada elevação do dólar – como alguns restaurantes e mesmo padarias da capital –, são obrigados a segurar ainda mais suas margens de lucro para evitar subida de preços e retração de vendas.
Fato é que, embora não seja inédita e sempre ocorra em períodos pré-eleitorais, a alta do dólar precisa ser revertida.
O que se espera é que a tendência registrada nos últimos dias não dure para além de novembro, quando o país terá seu novo presidente.
Para tanto, recomenda-se seriedade, responsabilidade e cabeça fria nos próximos dois meses. Para candidatos, para investidores e, principalmente, para o eleitorado do país.