Editorial.

A depressão pós-Copa da rede hoteleira de BH

Publicado em 12/08/2017 às 16:17.Atualizado em 15/11/2021 às 10:03.

Hotéis fechados ou transformados em prédios residenciais, funcionários demitidos em massa e previsões pessimistas para o futuro. Este é o cenário do setor hoteleiro de Belo Horizonte, que passou da euforia pré-Copa do Mundo à depressão, três anos após a realização do Mundial de futebol no Brasil. 

Os números são alarmantes e retratam a grave situação pela qual atravessa o setor. Segundo o presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de BH e Região Metropolitana (SindHorb), Paulo César Pedrosa, é a pior crise pelo menos dos últimos 40 anos. 

Só no primeiro semestre deste ano, 1.500 vagas diretas deixaram de existir. Em 2015, um ano após a Copa, eram 45 mil postos de trabalho na hotelaria. Hoje, são 30 mil. E a perda do faturamento calculada pelo sindicato chega a R$ 100 milhões por ano. 

O excesso de construções de hotéis para o Mundial e a falta de grandes eventos na capital mineira são alguns dos motivos que agravam a crise no setor. Especialistas e empresários do ramo também reclamam da subutilização dos principais equipamentos da cidade, MinasCentro e Expominas. A Codemig chegou a lançar um edital para concessão à iniciativa privada dos dois locais, mas o pregão fracassou, frustrando a expectativa dos agentes de turismo. 

A lista de estabelecimentos que fecharam as portas é extensa. Após 15 anos de funcionamento, o hotel Habitar, na rua Espírito Santo, sucumbiu à crise. Outro empreendimento tradicional, o hotel Bragança, na avenida Paraná, também deu adeus ao mercado. Já o Niagara Flat, no bairro Funcionários, se reinventou. Para sobreviver, foi transformado em edifício residencial.

Outros hotéis que deveriam ficar prontos para o Mundial sequer começaram a funcionar. Caso do Tulip Inn, lançado com toda pompa pelo apresentador de TV Roberto Justus. Pior ainda é a situação do Site Savassi. Quem investiu dinheiro no empreendimento não teve retorno até hoje, já que as obras ainda estão em fase final. Uma realidade muito triste para toda a cidade, que viu na Copa a esperança de progresso e prosperidade. 

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