A incerteza sobre o desfecho do processo eleitoral, com a expectativa de uma complicada polarização no segundo turno na campanha presidencial, tem trazido efeitos danosos à economia.
O dólar registra altas seguidas, já se percebe queda sensível nos índices que medem a confiança do empresariado para fazer investimentos e verifica-se demora na abertura de contratações temporárias para o final de ano, especialmente no comércio, como mostrado nesta edição.
Nem mesmo indicadores aparentemente positivos, como o IPCA de setembro, que ficou em 0,05% e teve a elevação mais baixa para o mês desde 2006, servem para aplacar o clima ruim que se estabeleceu.
A Confederação Nacional do Comércio estima que, em todo o Brasil, 72,7 mil trabalhadores devam ser contratados pelas lojas nos próximos meses para dar conta das vendas de Natal.
No ano passado, foram 73,9 mil – ou seja, haveria uma retração de 1,7%, quando o movimento natural seria o de aumento nas vagas ofertadas, como ocorreu em 2017 em relação ao ano anterior.
Vale destacar que o número de empregos disponibilizados pode ser ainda menor, dependendo do comportamento da economia e do mercado nos dias que se seguem, sob a influência dos rumos da eleição.
Uma conhecida empresa de terceirização e contratação de temporários da capital, por exemplo, informa que, até o momento, não há como fazer previsões sobre o comportamento dos empresários para a reta final de 2018. Fato é que ainda não existe o tradicional aumento da demanda.
Ao que parece, com mais cautela do que seria habitual, os comerciantes aguardam o Dia das Crianças, em outubro, para colher resultados e definir suas estratégias para novembro e dezembro.
Caso as vendas surpreendam, pode ser que se animem e retomem a tradição de buscar mais temporários, pensando no período de festas.
Do contrário, serão, infelizmente, menos oportunidades. Seja para quem está desempregado e quer um bico para ajudar nas despesas, seja para quem busca uma vaga sazonal com a esperança de que possa tornar-se definitiva.