Na rápida live feita anteontem nas redes sociais, o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), voltou a pedir desculpas à população pelas medidas rigorosas tomadas diante do recrudescimento do número de casos de Covid-19 em Belo Horizonte após a reabertura parcial do comércio. E, ao dizer que a cidade começa a ver o fim da guerra contra o novo coronavírus mais próximo, deixou claro que estava aberto ao diálogo com os setores econômicos, para discutir alternativas que permitam a retomada das atividades sem, necessariamente, acarretar em nova aceleração da curva de contágio. Um encontro marcado para hoje, às 14h.
A quem ainda critica a decisão de recuar e impor novamente o funcionamento restrito às atividades essenciais, é sempre bom lembrar que há uma equipe multidisciplinar de especialistas trabalhando com estatísticas e cenários da pandemia na capital. E que mesmo antes de um possível colapso (e principalmente para evitá-lo) há projeções que indicam o caminho a ser seguido.
Considerando-se o aumento do número de casos graves e internações, não há dúvida de que, ainda que impopular, foi o passo certo a ser dado. Tanto mais considerando que uma parcela da população insistiu em não seguir as recomendações. Uma delas (a do uso da máscara) transformada em exigência, passível de multa por desrespeito.
Diante de tudo o que ainda se descobre em relação à doença, é importante envolver diretamente todos os segmentos da sociedade no sentido de buscar soluções pactuadas e de probabilidade de acerto maior. Desde o início das medidas de isolamento social ficou claro que de seu sucesso dependeria a caminhada na nova normalidade. E que todas as ações na direção oposta alongariam ainda mais uma quarentena que se aproxima dos quatro meses.
Ninguém melhor do que quem vive o dia a dia da economia para levantar ideias, opções, e colocá-las na mesa para uma ação coordenada com o poder público. Deve-se fazer caminhar a questão em estrita concordância com o aspecto sanitário e a preservação da vida humana. Até mesmo para que não se tenha que passar por mais um momento triste e delicado mais adiante.