A indústria mineira é bastante concentrada. Prova disso é que metade da produção está nos setores automotivo, de mineração e metalurgia. A falta de diversificação complica a busca de soluções em períodos de crise e é objeto recorrente de debates. Mas apesar do pessimismo que toma conta da economia do país, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) aponta soluções.
A entidade lembra que alguns setores têm potencial para serem aceleradores da economia mineira, promovendo o crescimento tão esperado. São setores de larga escala produtiva, ou seja, que envolvem grande número de empresas fornecedoras, capazes de gerar emprego e receita de impostos para o setor público. Além dos tradicionais siderúrgico e automotivo, estão, dentre outros, laticínios, carnes e corretivos agrícolas. O levantamento da Fiemg aponta 21 áreas produtivas capazes de alavancar a retomada do crescimento como um todo.
Os investimentos das próprias empresas são necessários para essa retomada. Em consequência, haverá aumento das exportações, segundo a fórmula defendida pela Federação das Indústrias. Vendas para o mercado externo são consideradas a única saída, por exemplo, para o setor automotivo. A desaceleração do mercado interno não tem data para acabar. Desemprego e queda na renda são fatores de desestímulo à produção de automóveis para vendas dentro do país e vão durar ainda bastante tempo.
No entanto, o cenário macroeconômico necessário para esse esforço do setor privado precisa ser favorável; os estímulos de que precisam os empresários estão sendo buscados pelo governo Temer. Claro está que, crescendo a produção e consequentemente o estímulo ao consumo, aumenta a arrecadação de impostos.
Sendo estimuladas, as fábricas de automóveis, laticínios, carnes processadas, as siderurgias e os demais setores do levantamento da entidade empresarial, podem ajudar o próprio governo a enfrentar o ambiente de crise. Há fatores externos que dificultam esse movimento. O preço do aço, por exemplo, deixa o setor siderúrgico em banho-maria, mas havendo investimentos em infraestrutura, com o governo trabalhando para atender a uma demanda do país, essa realidade pode mudar. O presidente interino Michel Temer fala em privatizações e aportes por meio de parcerias público-privadas e até concessões à iniciativa privada. Se se mantiver firme politicamente, conseguirá o que a economia mineira tanto aguarda e tanto necessita.