Editorial.

A pandemia e o papel do estado

Publicado em 08/04/2020 às 20:44.Atualizado em 27/10/2021 às 03:13.

A pandemia do novo coronavírus submeteu todas as linhas de pensamento políticas ao desafio nada simples de oferecer respostas nos países em que são aplicadas. Dos regimes mais fechados e totalitários, nos quais a presença do estado se confunde com o privado, aos países em que o pensamento liberal concebe o governo como ‘mero’ regulador, desvinculado, tanto quanto possível, do envolvimento como ator econômico, mesmo em setores estratégicos. Em todo o mundo, fica claro a cada dia como o poder constituído é quem deve liderar o esforço de enfrentamento, não só das questões de saúde, mais urgentes, como também das consequências econômicas.

<CW20>No caso específico do Brasil, observa-se uma certa incoerência no discurso, tanto meio à população quanto nos setores produtivos. Por um lado, identifica-se um movimento no sentido de pleitear, por parte dos governos (nas três esferas), mecanismos de cooperação e suporte financeiro para enfrentar a fase mais crítica da pandemia. Caminho este seguido em todo o planeta e que pode ensejar debate apenas no que diz respeito ao grau de ajuda e o volume de recursos empregado. Mas que, num momento atípico como o atualmente atravessado, se mostra o único capaz de sustentar um esforço de recuperação. É até difícil imaginar de que forma operações como a concessão do auxílio emergencial serão bem-sucedidas sem a estrutura e a capilaridade dos bancos estatais nas diversas realidades brasileiras.
</CW>Por outro lado há um questionamento visível quanto às decisões do Executivo em insistir no isolamento social ou evitar qualquer afrouxamento de regras no que diz respeito à circulação. Algo que chega ao extremo de invocar suposto desrespeito ao direito de ir e vir (assim como o de empreender), ignorando questões de saúde que são cuidadosamente pesadas para que tome qualquer medida.
Ora, não pode ser o estado que ajuda e socorre privado de seu papel regulador e ordenador em outros aspectos, tanto mais quando mais se necessita de diretrizes claras e eficientes. Situações como a vivenciada exacerbam a existência de interesses e prioridades distintas, que devem ser tratadas com equilíbrio e reflexão, algo esperado e factível para a autoridade legitimamente constituída.
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