Editorial.

A pressa foi inimiga da perfeição

Publicado em 26/09/2016 às 20:03.Atualizado em 15/11/2021 às 20:59.

Estamos na reta final da campanha para as eleições municipais deste ano. Várias pessoas ainda nem se preocuparam em refletir em quem vão votar no próximo domingo, quanto mais escolher o gestor que vai comandar a cidade em que vive e os vereadores que ocuparão a Câmara Municipal pelos próximos quatro anos. 
O curto período de campanha, com o objetivo de reduzir os custos, foi um dos responsáveis pela menor visibilidade dos candidatos. Mas essa foi apenas uma das alterações nas regras eleitorais com consequências claras, e longe das desejadas, na disputa deste ano. 

Após os recentes escândalos de corrupção, o Supremo Tribunal Federal vetou a doação direta de empresas para campanhas eleitorais. “Chegamos a um quadro absolutamente caótico, em que o poder econômico captura de maneira ilícita o poder político”, disse o ministro Luiz Fux, relator do caso, ao proferir seu parecer pela proibição. Ou seja, a medida visou evitar que campanhas com maior poder aquisitivo tivessem grande vantagem sobre as outras. 

Mas nem todas as possibilidades, ao que parece, foram pensadas. Além disso, o brasileiro sempre acha uma brecha na lei. E parece que é o que está ocorrendo. Os próprios candidatos a prefeito lideram, hoje, a lista e o volume de doações às campanhas. 

A lei impõe limite para as doações de pessoas físicas – de 10% da renda do ano anterior – no entanto, a única restrição para a doação do candidato é o teto de gasto da campanha. Assim, o candidato que tem mais dinheiro possui maiores condições de doação. O poder econômico continua ‘capturando’ o poder político. 

Nós já tratamos aqui, no Hoje em Dia, de outra distorção causada pelas novas regras eleitorais, como foi o caso da redução drástica do tempo de campanha, o que beneficiou claramente os candidatos já mais conhecidos da população. 

O certo é que Judiciário e Legislativo quiseram dar uma satisfação rápida e enérgica à população para evitar o funcionamento de outros esquemas de corrupção utilizando campanhas eleitorais e erraram o ponto. E não dá para culpá-los, pois a maioria de nós aplaudiu as medidas, que só agora, na prática, se mostraram desproporcionais. É um exemplo de como mudanças tão amplas não podem ser feitas sem um grande debate e sem pressa. 

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