Linchamento é uma agressão ou até mesmo assassinato cometido por um grupo de pessoas cujas motivações conjugam a ideia de vingança. Os contextos podem variar, mas o caráter coletivo da ação e a ideia de justiça com as próprias mãos são ingredientes comuns na maioria dos episódios.
Casos recentes ilustram como é o fenômeno país afora. Só nesta semana, duas ocorrências do tipo foram registradas em Belo Horizonte. Ontem, um adolescente de 17 anos foi agredido com chutes, socos e pedradas no bairro Novo Glória. Testemunhas disseram que o jovem havia acabado de cometer furtos, o que ele negou. O rapaz afirma não saber o motivo pelo qual apanhou.
Já em 29 de novembro, o dono de um cachorro e pedestres bateram em um homem que matou o animal a chutes, na Praça 7. Os agressores não foram identificados. No dia 7 do mesmo mês, em São Paulo, um homem foi assassinado pela população após matar a ex-namorada. Os vídeos do ataque à mulher e a ação dos moradores repercutiram nas redes sociais. Três dias antes, um homem de 55 anos foi encontrado morto e parcialmente enterrado no bairro Novo Alvorada, em Sabará. Ele era suspeito de ter abusado de uma menina de 6 anos e foi espancado por seis homens, inclusive o pai da criança.
A prática de assassinatos por multidões era comum na antiguidade, com relatos de apedrejamento de pecadores e queima de bruxas. A origem da palavra linchamento é atribuída a Charles Lynch, fazendeiro da Virgínia, nos EUA, que punia criminosos durante a Guerra da Independência em 1782. Em 1837, surge a Lei de Lynch, baseada nos atos do fazendeiro, usada para pregar o ódio racial contra negros.
Hoje, segundo especialistas, o linchamento é resultado da sensação de impunidade e da falta de eficiência da legislação penal. Há grupos que desafiam o Estado Democrático de Direito sob o pretexto de que o Judiciário é falho. E a execução sumária do criminoso pela multidão é tida como a forma de se fazer a justiça.
Cansada de ver o sujeito sendo liberado da prisão e voltando a cometer crimes, a população fica revoltada e começa a atuar como juiz e executor. Só que essa, definitivamente, não é a é a atitude correta a ser tomada. Caso contrário, é a volta do condenável ‘olho por olho, dente por dente’.