Governar na bonança é relativamente fácil. E economia cresce, não são necessários grandes esforços para atrair investimentos e a oferta de emprego é satisfatória, garantindo renda ao trabalhador e um bom nível de consumo. O problema é quando chega uma crise, como essa que nós estamos vivendo. A arrecadação despenca, o desemprego aumenta e a disposição de empresários para investir praticamente acaba por completo. É nesse momento em que é preciso criatividade, clareza e sangue frio para tomar decisões que precisam ser tomadas, minimizando perdas para a população.
Por um lado, o governo de Minas busca de alguma maneira retomar os investimentos por meio de práticas mais modernas de gestão. A criação de fundos para gerenciar bens públicos, com a participação da iniciativa privada, é bem difundida pelo mundo e, bem feita, não significa uma privatização direta.
Aliás, a venda de ações de empresa públicas sem que o Estado perca o controle majoritário delas deveria ser uma prática mais comum no país. De um lado, não há um risco de perda de patrimônio, de outro, a sociedade com investidores obriga a gestão se modernizar e se preocupar também com os resultados. As indicações continuariam, mas a preocupação com a competência do indicado é muito maior.
Se bem que, como no caso do fundo anunciado ontem pelo governador Fernando Pimentel, dá para se questionar o motivo do Estado ter tantos imóveis assim desativados. Tudo bem que a estrutura burocrática tende a crescer com a população, mas não em uma proporção que necessite de mais 1.600 imóveis. Não faz sentido ter dois carros se você usa somente de um.
Já renegociar e incentivar o pagamento de dívidas com o Estado são práticas mais tradicionais, mas que vêm em boa hora para quem não tem condições de pagar. É um momento bastante atípico da nossa economia e, portanto, medidas não convencionais precisam ser tomadas para garantir o funcionamento da máquina pública.
Assim como a população, o governo vai se virando para ultrapassar essa nuvem escura da nossa história. Esperar ajuda externa – leia-se União – é inútil, pois ela não virá além do básico previsto em lei. Inovar também é uma característica que deve estar presente também na gestão pública.