O fechamento de grande parte das lojas do comércio varejista em Belo Horizonte, com o risco de disseminação ainda maior da pandemia de coronavírus, tem levado lojistas, principalmente no centro da capital, a ficar entre a cruz e a espada. Proprietários de imóveis e até imobiliárias têm sido irredutíveis na concessão de descontos e até mesmo em oferecer ao locatário um prazo maior ou o parcelamento do aluguel para que ele possa arcar com as obrigações. Na periferia de BH, no entanto, locadores já têm começado a flexibilizar os pagamentos, na tentativa de segurar o aluguel.
Neste momento de crise, alguns lojistas que tiveram que suspender o atendimento presencial, conseguiram amenizar os prejuízos partindo para o sistema de delivery. Porém, até mesmo este segmento já começa a sofrer também uma retração. A queda na renda do empresariado foi geral com a escalada da Covid-19 em todo o país. Muitos tiveram que conceder férias coletivas a partir de meados de março e temem até o fechamento dos negócios, se a crise de prolongar por muitos meses.
Só no mês passado, a Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH) estimou prejuízo de R$ 2,09 bilhões com o fechamento do comércio. O governo Minas também prevê perda superior a R$ 7 bilhões com a arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e a Federação das Indústrias estima corte de 2 milhões de postos de trabalho neste ano.
O agravamento da crise em Minas está a passos largos. Diante da dificuldades do empresariado, o Sindilojas BH, que representa cerca de 32 mil estabelecimentos na capital e região, pleiteia um regime extraordinário neste período da pandemia, como o pagamento do aluguel de março proporcional ao faturamento e, a partir deste mês, conforme do que for vendido por cada estabelecimento.
Neste momento de isolamento social e de dificuldades para todos os segmentos, o que deve imperar nas negociações é bom senso. Num cenário incerto, onde não há esperança de quando o país voltará à normalidade,deve haver uma a racionalidade e o entendimento, caso contrário todas saem perdendo nas relações. A judicialização, agora, seria a última possibilidade a ser cogitada.