Autorização para desfilar apenas com a documentação regularizada. O comando do Detran-MG se mostrou firme em sua decisão de não fazer concessões especiais aos blocos de Belo Horizonte e seus carros de som; o que também ocorreu por parte da Justiça, ao negar liminar nesse sentido.
É importante lembrar que 15 dos 30 que deveriam ser usados ao longo da folia não reuniram os requisitos legais – em alguns casos foram adaptados sem a necessária vistoria e, em outros, não apresentam condições de segurança; o que, como já afirmado, motiva preocupação justificada quando se fala da movimentação de milhares de pessoas.
Os próprios responsáveis pelas agremiações reconhecem que a decisão de fazer cumprir a lei é lógica e correta, ao mesmo tempo em que lamentam o momento em que foi aplicada, dando pouca margem de atuação. Algo com que é preciso concordar, ainda que levando em conta que folia, no seu formato atual, é recente e ainda evolui, com base na experiência acumulada nos anos anteriores. O Carnaval de BH tem uma lógica própria, sem um espaço único para os desfiles e cortejos, mas espalhando-se capilarmente pela cidade. Exige, portanto, soluções próprias, nem sempre presentes em outras capitais que se tornaram referências no samba. São Paulo, neste aspecto, é quem se apresenta com maiores similaridades.
Tem-se, com o episódio, um aprendizado que não é indolor, tampouco se dará sem mudanças na dinâmica da festa. Um dos blocos mais tradicionais da folia, o Juventude Bronzeada suspendeu seu cortejo. Outros tentam correr para conseguir alternativas que permitam levar a programação adiante. Há casos de vaquinhas e mobilização dos integrantes para alugar novos caminhões. Que, em alguns casos, por serem de dimensões diferentes dos anteriores, exigirão ajustes nos percursos.
Caberá a blocos e às autoridades incluir um aspecto que se mostra tão importante num ‘check-list’ para os carnavais vindouros; condição obrigatória para permitir os desfiles, quando for o caso (há blocos que dispensam tal estrutura). Por outro lado, fica claro que se chegou a um grau de profissionalismo e crescimento tal que exige mais opções à altura da festa, não apenas adaptações ou soluções paliativas. É o preço a pagar pelas dimensões cada vez maiores do evento.