Editorial.

Alta na carne nossa de cada dia

Publicado em 20/07/2020 às 20:14.Atualizado em 27/10/2021 às 04:04.

Uma das grandes incógnitas envolvendo a economia e os impactos provocados pela pandemia de Covid-19 diz respeito ao comportamento dos preços. A combinação entre o aumento do desemprego; a diminuição da renda média para quem teve a jornada de trabalho igualmente reduzida e a pressão sobre vários setores produtivos sugeria, ao menos na teoria, uma manutenção nos patamares anteriores, ou mesmo uma ligeira redução para adequação ao momento. 

Afinal, vive-se todos os elementos de um período recessivo: menor poder de compra, limitação nos gastos e a previsão de um período longo até que o reaquecimento econômico leve novamente à geração de postos de trabalho. Algo que vai além do aspecto puramente financeiro, balisando-se também na própria evolução da situação sanitária - quando, e que tipos de negócios poderão retomar suas atividades, e em que condições.

A pesquisa do Site Mercado Mineiro retratada nesta edição mostra, no entanto, como um dos vilões recentes da economia brasileira volta a dar as caras. A elevação do preço da carne no fim de 2019 pesou de forma significativa nos hábitos de consumo e alimentação dos brasileiros. A ponto de gerar memes nas redes sociais que, com o espírito brincalhão do brasileiro, ironizavam a situação. À época, a explicação encontrada foi o maior interesse do mercado chinês, que, por dimensões e pelo fato de comprar em dólar, reduzia a oferta doméstica e, com isso, acabava por elevar os preços.

A expectativa era de que, nos primeiros meses deste ano, houvesse uma redução a patamares menos proibitivos, o que efetivamente chegou a acontecer. Alegria de curta duração, já que novamente os valores da arroba do boi gordo sinalizam alta e a demanda externa consegue ser muito superior à do mesmo período no ano passado, mesmo no cenário de pandemia. O que se reflete também nas aves e suínos.

Considerando-se que para o setor pecuário não há a queda nas vendas que se prevê para outros segmentos econômicos, a solução, por enquanto, é a de sempre. Na medida do possível, pesquisar e buscar alternativas, à espera de tempos mais amenos também nos açougues e supermercados.
 

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