Embora o transporte clandestino de passageiros não tenha propriamente saído de cena, ao longo dos últimos anos, Belo Horizonte vem registrando perigoso recrudescimento de tal ilegalidade.
Dados apresentados nesta edição mostram crescimento na ação dos chamados perueiros em diversas regiões da cidade, especialmente no Centro.
A própria fiscalização da atividade pelas autoridades confirma maior movimentação: nos nove primeiros meses deste ano, foram aplicadas 2.427 multas a motoristas que usavam seus veículos para transportar passageiros sem autorização, ante menos da metade no mesmo período de 2017 (1.144).
Outro agravante é o grau de articulação que os clandestinos têm dado ao seu “negócio”. Eles contam com pontos específicos para passageiros, cobradores em cada veículo e até um grande número de agenciadores, que circulam em locais movimentados, em horários de pico, para fazer o aliciamento de passageiros.
Trata-se, como se sabe, de um problema crônico nas grandes cidades brasileiros, mas que torna-se agudo em períodos de crise econômica, quando há número elevado de desempregados em busca de alternativas nem sempre permitidas para se sustentar.
Também contribuem para a situação as deficiências do transporte coletivo formal. Problemas como o desconforto, sobretudo dos ônibus, os preços e as desanimadoras opções disponíveis, como é relatado por muitos usuários, levam as pessoas a adotar os meios clandestinos para se locomover, abrindo brecha para que as vans e até automóveis comuns ofereçam as viagens.
É fundamental que os responsáveis pelo transporte público oficial combatam essa prática. Não é raro que se constate condições precárias nos veículos usados pelos clandestinos, como pneus carecas, equipamentos danificados, falta de cintos de segurança e placas apagadas, o que coloca em risco os passageiros.
Também é necessário que se aprimore a legislação para tais casos, hoje muito branda. O máximo que se pode fazer, atualmente, ao se flagrar transportadores ilegais, é apreender o veículo, aplicar multa de R$ 130 ao motorista e tirar quatro pontos de sua carteira.
O caminho, de fato, é intensificar a fiscalização. Até para evitar que se perca controle do quadro e a capital volte a viver, como no início dos anos 2000, cenas lamentáveis, nas quais centenas de perueiros protagonizaram uma guerra no Centro, reivindicando coisas absurdas e tornando refém boa parte da população.