A crise econômica iniciada em 2014 parece longe de ser definitivamente contornada. Indicadores do desemprego, que atinge a casa dos 13 milhões de brasileiros, e o recuo ou a recuperação aquém do esperado em atividades como o comércio, os serviços e a indústria mostram que ainda há muito chão até que o país possa considerar superado o período recessivo.
Há, no entanto, setores que insistem em contrariar o cenário geral. É o caso dos bares e restaurantes e dos supermercados, cujo aquecimento de vendas e investimentos, este ano, tem surpreendido analistas e até os próprios empresários.
Na capital, considerada uma das cidades que mais concentram estabelecimentos nos quais pode-se beber, comer e jogar conversa fora, o momento para esse tipo de negócio é promissor. Se, nos últimos quatro anos, segundo a Abrasel-MG, uma em cada quatro dessas casas fechou as portas ou mudou de dono em BH, em razão de dificuldades econômicas e da fuga de fregueses, a situação, em 2018, tem sido bem diferente.
Altas acima da média nos faturamentos, expansão de unidades e inauguração de novidades fazem com que o segmento preveja fechar o ano com faturamento acima do de 2017, embora a expectativa inicial fosse de empate de números.
No ramo dos supermercados, a performance é ainda mais notável. Novas lojas de grandes redes não param de brotar pela cidade, impulsionadas por pesquisas de demanda reprimida, sobretudo, em bairros que antes não atraíam a atenção das empresas.
A Amis estima que, somando todos os grupos, pelo menos 60 unidades tenham sido abertas até o fim do ano no Estado, fora outras 74 que passam por reformas, totalizando investimentos de R$ 440 milhões. Como reflexo, ao menos 7 mil empregos estão sendo criados.
Para especialistas, os bons ventos para esses setores são explicados por ligeiro alívio nas contas dos brasileiros, a partir do segundo semestre do ano passado. Com um pouco mais de dinheiro no bolso, as pessoas teriam se sentido encorajadas a retomar as atividades de lazer e a aumentar o consumo de bens não duráveis. Fato é que a melhora, mesmo setorizada, faz crescer a esperança em dias melhores para toda a economia.