Na maior chuva deste ano em BH, na noite do último feriado, uma tragédia, embora anunciada, voltou a chocar a população da capital.
Como em diversas outras ocasiões, a região da avenida Vilarinho, Norte da cidade, foi palco de grande e rápida inundação durante a tempestade, o que provocou pelo menos três fatalidades.
Uma mulher e a filha de 6 anos morreram afogadas – e abraçadas, segundo os bombeiros – depois que o carro em que estavam foi arrastado até a linha férrea do metrô, na parte inferior do Shopping Estação, e ficou prensado entre outros veículos.
Perto dali, uma adolescente de 16 anos caiu em um bueiro ao sair do veículo em que estava com o namorado, e que começava a ser encoberto pela água.
A estudante foi arrastada pela enxurrada por quatro quilômetros e o corpo só foi encontrado no fim da manhã de ontem, em uma galeria próxima à rua Gaivotas, no Vila Clóris.
Havia, até a tarde de ontem, suspeitas de que outras duas mortes estivessem relacionadas à chuvarada, que superou 100 milímetros na área.
Passada a tempestade, nada de bonança.
As discussões, ontem, se concentraram em medidas que podem e devem ser tomadas na capital para impedir que catástrofes como a do dia anterior voltem a ocorrer – e não apenas na Vilarinho, mas em outras áreas consideradas críticas para inundações na cidade.
Como mostra esta edição, o prefeito Alexandre Kalil assumiu a responsabilidade pela tarefa de evitar perdas materiais, mas, sobretudo, de vidas em decorrência das chuvas.
Ele disse que não medirá esforços ou recursos para obter êxito e informou que licitações serão abertas, ainda este ano, para iniciar projetos que eliminem os riscos.
O que se espera é que tal determinação não seja em vão. É fundamental que, o mais rápido possível, a chuva deixe de ser sinônimo de pânico e dor em Belo Horizonte.
Outros pontos da cidade também precisam de intervenções e o primeiro passo, em boa parte dos casos, como no Vilarinho, é fazer estudos sobre as melhores soluções para por fim ao desespero. Com isso, será possível captar recursos e, efetivamente, tocar as obras pelas quais a cidade clama.