A lamentação daquelas pessoas que perderam entes queridos, enterrados em algum dos cemitérios municipais de Belo Horizonte, vai além da tristeza e da saudade. A depredação e a falta de cuidado também são fonte de sofrimento para essas famílias. O descaso sempre pareceu fazer da infraestrutura desses locais.
Em breves visitas feitas pela reportagem do Hoje em Dia às necrópoles administradas pelo município, foram vistos acessos improvisados, mato alto, depredação, obras paradas, dentre outros graves problemas.
Furtos, por exemplo. Tanto no Bonfim, que tem lápides centenárias e há o sumiço de peças de bronze, quanto na Paz, que já pela terceira vez neste ano tem toda a fiação levada por criminosos. Por lá, os mortos têm sido velados e parentes e amigos levado suas homenagens à luz natural. No da Saudade, houve denúncia de roubos de ossadas e consumo de drogas no interior da necrópole.
O Cemitério do Bonfim é mais antigo que a própria capital mineira, existe grande preocupação com as peças históricas lá presentes, datadas do século 19
Em fevereiro deste ano, o prefeito Marcio Lacerda assinou um decreto acabando com os jazigos perpétuos dos cemitérios municipais e instituindo a Taxa de Manutenção dos Cemitérios Municipais.
A medida visou a regularização da titularidade e concessão dos túmulos. Além disso, os valores cobrados seriam direcionados para reforçar o cuidado com os cemitérios. Apesar disso, a situação estrutural das necrópoles é vergonhosa, mesmo a prefeitura afirmando que o serviço de manutenção está em dia e/ou sendo providenciado.
Na Câmara dos Vereadores, está em tramitação, desde outubro do ano passado, um Projeto de Lei do próprio prefeito que propõe a privatização das necrópoles de Belo Horizonte a exemplo do que já está em funcionamento no Rio de Janeiro.
Porém, parlamentares questionam se a proposta não trará problemas como os que estão acontecendo na capital fluminense. Por lá, os cemitérios foram entregues à iniciativa privada e as taxas para o sepultamento e velório quadruplicaram e, como esses locais são procurados geralmente por famílias com menor poder aquisitivo, a elevação de custos é muito prejudicial.
Fato é que os cemitérios devem ser cuidados como os demais parques municipais da cidade, precisam ser lugares tranquilos e que transmitam o respeito que deve-se ter com aqueles que estão ali agora, mas fizeram parte da vida de muitos que sentem saudades e querem prestar homenagem aos que se foram.