Editorial.

Carnaval e um impasse que ameaça o samba

Publicado em 19/02/2020 às 20:27.Atualizado em 27/10/2021 às 02:41.

O Carnaval de Belo Horizonte, hoje já um dos principais do país, deixou de se limitar aos quatro dias ‘oficiais’ da folia de Momo dos calendários. Em toda a cidade os desfiles já se multiplicam, com um necessário toque de organização – em termos de fechamento de ruas, desvios no trânsito; proteção de instalações públicas –, para evitar contratempos, sem perder a espontaneidade e a condição de festa democrática e popular.

A cidade abraçou a celebração de forma inédita e o slogan oficial da folia “Carnaval de BH é de todos” resume o espírito de uma mobilização que hoje abraça gente de todo o estado e de várias partes do país. Com temáticas e propostas variadas, para um momento que deve ser justamente de inclusão e democracia.

Desde o fim de semana, no entanto, criou-se um impasse diante da apreensão, pelo Detran-MG, de caminhões de som usados por blocos e agremiações, com problemas na documentação e na configuração. Se alguns deles apenas não tiveram a nova função registrada no Renavam, como exige a legislação, outros se mostraram fruto de adaptações que não necessariamente atendem aos requisitos de segurança. Considerando as dimensões da festa, o cuidado em reduzir fatores de risco é mais que justificado – e basta lembrar tragédias como as das boates Canecão Mineiro e Kiss para entender como muitas vidas teriam sido salvas se tal postura fosse praxe nos órgãos públicos.

Não estão errados os representantes dos blocos quando alegam que faltou orientação em tal sentido por parte das autoridades, se é verdade que o tema não veio à tona em reuniões preparatória. Por outro lado, também não estão equivocadas as polícias Militar e Civil (à qual se subordina o Detran) ao fazer cumprir a lei. O argumento de que tais carros foram usados em carnavais anteriores sem problemas não os isenta das irregularidades encontradas.

Lógico que a situação preocupa, por envolver o desfile de 30 blocos de maior porte, e a expectativa é de que a força-tarefa criada para lidar com a situação consiga vistoriar, determinar as mudanças necessárias e elas sejam implementadas a tempo. 

Longe de criar uma caça às bruxas ou enxergar obstáculos à folia, trata-se de mais um aprendizado de um Carnaval em pleno desenvolvimento. E que certamente não será mais problema nos anos seguintes.
 

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