Editorial.

Cenário absurdo no transporte coletivo

Publicado em 17/07/2020 às 21:09.Atualizado em 27/10/2021 às 04:03.

Qualquer estratégia de enfrentamento à Covid-19 que se preze deve levar em conta os principais focos de transmissão da doença, considerando-os prioritários. Levando-se as restrições de funcionamento aplicadas a vários segmentos e o desenho das atividades em Belo Horizonte no período, não há dúvida de que o transporte coletivo se transforma em objeto necessário de atenção. Afinal, ainda que com circulação inferior ao habitual, é obrigado a dar vazão à movimentação da maioria daqueles que mantêm sua rotina de trabalho, sem poder recorrer ao home office.

Como mostra reportagem nesta edição, em cinco meses foram aplicadas às empresas do setor 8.109 multas, em sua maioria por exceder a lotação permitida e não carregar álcool em gel para oferecer aos passageiros. Mais até do que a proximidade entre as pessoas, preocupam as várias áreas - assentos, apoios para as mãos, a própria roleta - que podem provocar a disseminação do novo coronavírus, considerando-se que ele pode permanecer em tais superfícies por mais tempo. Além disso, há a questão da saúde dos motoristas que, diferentemente dos usuários, são obrigados a lidar com tal cenário ao longo de toda a jornada e merecem cuidados especiais para que não engrossem as estatísticas.

O comportamento desrespeitoso das concessionárias do setor na capital já era visto quando da questão da supressão dos cobradores, por alegada limitação financeira. Também neste caso as multas foram aplicadas mas não coibiram a prática. Não se tratava, porém, de questão de saúde pública, que deve se antecipar a todas as demais, inclusive a econômica.

Estranha-se que, num tempo em que vários setores econômicos tomam a iniciativa de reforçar as medidas de proteção ao consumidor, não se tenha, por parte das empresas de transporte coletivo, qualquer movimento nesse sentido. Deixa-se o usuário à própria mercê, muitas vezes sem escolha, já que ter veículo próprio não é privilégio de todos. Pior ainda, reduz-se os horários de circulação, favorecendo a aglomeração de pessoas. Diante de tais números, é fundamental ir além das multas. Quando tal tipo de sanção se mostra inócua e desprezada por quem a recebe, urge encontrar mecanismos mais rigorosos de resposta.
 

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