Editorial.

Choque de realidade trazido pelo coronavírus

Publicado em 09/03/2020 às 08:46.Atualizado em 27/10/2021 às 02:53.

O inevitável aconteceu. A confirmação do primeiro caso, em Minas, de coronavírus é a prova cabal de que a doença avança, chega mais perto de cada um de nós e precisa ser prevenida a todo custo para que cause o mínimo de estrago possível. Sim, porque mesmo com a certeza de que não há motivo para pânico, como alertam epidemiologistas, a enfermidade causará impacto no micro e no macro.

No plano mais particular, isso vai acontecer ao colocarmos de molho quem estiver doente, afastando essa pessoa do trabalho e mobilizando parentes para cuidarem dela em casa ou no hospital, afetando a rotina e talvez até o orçamento da família.

No mais abrangente, atinge a rede pública e a privada de saúde, com mobilização de um número maior de profissionais, leitos, medicamentos, realização de campanhas e mais exames. Em qualquer situação, e estamos falando aqui de um cenário sem graves complicações e mortes, quem pagará a conta somos nós. 

Presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, o médico Estêvão Urbano alerta, no Página Dois desta edição do Hoje em Dia, sobre a globalização de doenças, e como a tendência é a de que, diante de novos vírus e outros gatilhos, enfermidades corram o mundo em intervalos curtos de tempo. Logo, o coronavírus é a atual ameaça, mas não será a última.

O recado que fica é o de que, tal qual uma gripe, esse mal pode ser evitado em muitos casos com medidas relativamente simples, como lavar as mãos com frequência, tossir na parte de dentro do cotovelo, não sair de casa se estiver com sintomas da doença e evitar aglomerações. 

É justamente aí que está o “x” da questão. Em um cenário como este, a responsabilidade individual tem peso enorme sobre o resultado da estratégia das autoridades para evitar a disseminação da doença. Mas, num país com 40,7% dos trabalhadores na informalidade, é difícil pensar em alguém aquartelado por 14 dias, ainda mais se tiver “apenas” sintomas leves.

Para ficar bem na nossa realidade, imagine um motorista de aplicativo encurralado entre o certo a ser feito e as contas de casa a serem pagas. Já pensou quantos passageiros pegará? Pelo visto, os desafios estão só começando...

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