Editorial.

Combate à seca a longo prazo

Publicado em 19/09/2016 às 20:34.Atualizado em 15/11/2021 às 20:54.

Crise política, impeachment, campanha eleitoral e Jogos Olímpicos. Essa série de fatos extraordinários acabou desviando um pouco a atenção da população, e também dos meios de comunicação, dos nossos problemas do cotidiano. Um deles é a seca que atinge atualmente milhares de pessoas em mais de 140 municípios em Minas Gerais. 

Algumas regiões do Estado passam pelo terceiro ano seguido de pouca chuva, escassez que hoje está muito maior do que o que podemos considerar normal para regiões áridas.

Mas se enganam as pessoas que consideram que a seca afeta somente cidades em regiões que historicamente recebem pouco volume pluviométrico. As grandes cidades brasileiras também já são afetadas, e a situação pode piorar daqui a alguns anos. 

Tivemos o exemplo da região metropolitana de Belo Horizonte no ano passado, quando passamos alguns meses sob a ameaça de racionamento. A chuva um pouco acima da média no último verão adiou o corte no abastecimento, mas o problema ainda não foi solucionado. Caso não haja um período chuvoso satisfatório, será difícil a capital mineira e os municípios vizinhos ficarem sem o controle do consumo. Medida essa que já é aplicada em São Paulo. 
Embora os governos já estejam adotando as medidas emergenciais, a solução do problema da seca passa por iniciativas mais a longo prazo. A maior delas é o combate à degradação ambiental. 

Água sempre foi abundante no Brasil e até nos acostumamos ao abuso. Mas o pior é que não falta água propriamente dita nas grandes cidades. Ela falta em condições de consumo, já que quase a totalidade dos rios e cursos d’água nas áreas urbanas está contaminada com esgotos doméstico e industrial. 
No interior, o problema da contaminação não é tão grande, no entanto, o desmatamento fora de controle está secando nascentes, ou reduzindo o volume delas, e até secando rios. São várias as pesquisas que mostram isso. 

A questão da água tem que ser tratada em todas as frentes, não apenas no atendimento emergencial, para garantirmos o abastecimento das futuras gerações. Se a solução não for pensada em longo prazo, vamos, todos os anos, gastando dinheiro “enxugando gelo”. Pelo menos, enquanto ainda tiver água pra fazê-lo. 
 

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