Se os números diários de infectados e mortos pela Covid-19 divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) chamam a atenção e assustam, outras estatísticas vêm causando preocupação. São as que projetam cenários para a pandemia nos próximos dias e meses, e que chegam a considerar a possibilidade de milhões de fatalidades relacionadas a ela em grandes países. Da mesma forma, as que dimensionam a capacidade de atendimento em UTIs e estimam um cenário de saturação.
Há quem pense que se trata de exagero da imprensa, ou de alguma campanha orquestrada com o objetivo de criar alarmismo, sabe-se lá com que interesse. Como em tantos outros acontecimentos da história recente, teorias da conspiração sem qualquer apoio nos fatos se proliferam e muitas vezes sugerem que tais números são distorcidos, ou não correspondem à realidade.
Do mesmo modo que, tão logo ficou clara a seriedade da questão e seu alcance, especialistas em todo o mundo se debruçam sobre possíveis tratamentos e formas de imunização, também outros trabalham diante das estatísticas e dados consolidados para direcionar políticas públicas e ações prioritárias a cada momento. Entender, por exemplo, quando mesmo o isolamento social pode ser insuficiente para conter a curva de contágio, e embasar decisões ainda mais restritivas.
Estudos que contam com a ajuda de poderosos supercomputadores, capazes de processar trilhões ou quatrilhões de dados por segundo. Comparar cenários, identificar pontos preocupantes e investigar ocorrências que ajudem a conceber os próximos passos do enfrentamento à pandemia.
Informações relevantes e dignas de atenção. E que devem ser empregadas como um sinal de alerta. É com base nelas que autoridades em todo o mundo têm se decidido pela ampliação da rede hospitalar, inclusive com unidades de campanha. Também mostram o potencial de disseminação, infectados e mortes caso se opte pelos vários cenários de distribuição populacional no momento.
Não se trata de chutes ou especulações, mas de indicativos com grande probabilidade de concretização. Para quem faz pouco caso, sempre é bom lembrar das recentes chuvas em Belo Horizonte e entorno. Foram as previsões e simulações as responsáveis por ações prévias que evitaram uma tragédia ainda maior.