O Brasil supera a triste marca de 5 mil mortes provocadas pelo novo coronavírus e, tão preocupante quanto o número em si, é o ritmo de crescimento da epidemia nos últimos dias. Uma progressão que, em parte, reflete um maior número de pacientes diagnosticados por testes, mas, que também, revela como a Covid-19 ainda se espalha de forma intensa sem que o contágio seja brecado. Já há mais óbitos do que na própria China, de onde o vírus se espalhou de forma global.
Algo que o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta alertava em seus últimos dias na pasta, tentando, em meio a um embate ideológico com o Palácio do Planalto, ressaltar a importância do isolamento social. Seu substituto preferiu um discurso menos condizente com a realidade e, acima de tudo, uma postura de espera, como se ainda fosse necessário interpretar os rumos da doença e seu potencial de impacto.
Olhando para trás chama a atenção o tempo perdido em polêmicas estéreis (como a da ‘gripezinha’) e na tentativa de vender Cloroquina e Hidroxicloroquina como a panaceia para a Covid-19, sem as necessárias evidências científicas. Estados e municípios têm procurado fazer sua parte, mas tateiam diante da ausência de um encaminhamento centralizado e unificado; de uma ação construtiva envolvendo as três esferas do Executivo, mas também Legislativo e Judiciário.
Insiste-se ainda nas teorias que apontam a questão econômica como outra doença a ser tratada que, se negligenciada, poderia levar a efeitos igualmente deletérios. Não é necessário ser especialista para entender que qualquer tentativa de flexibilização apressada ao sabor das circunstâncias tende a criar números ainda mais trágicos. Assim como não se deve usar por parâmetros o número de casos e mortes pelo total de habitantes, numa tentativa de pintar uma realidade menos cinzenta.
Urge despir-se de vieses políticos e enfrentar a situação com a seriedade necessária, sob pena de o país se arrepender amargamente. Não importa o passado, não importam as diferenças. Importa, sim, um presente que vem sendo construído de forma triste, proporcionando caminho fértil para o avanço da pandemia. Nele devem estar concentrados todos os esforços e busca de soluções. Para ontem.
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