No atual cenário de incertezas devido ao crescimento da pandemia do novo coronavírus e de retração na renda, os consumidores têm evitado se endividar para a aquisição de patrimônio como imóveis e automóveis. Dados da Serasa Experian mostram que a busca por esse tipo de crédito em abril deste ano registrou um recuo de 25,7% em relação ao igual mês do ano passado, o maior retração dos 12 anos de existência do levantamento.
O consumidor tem priorizado os gastos com produtos e serviços considerados de primeira necessidade, feitos geralmente à vista ou com crédito pré-aprovado. As regiões Centro-Oeste e Nordeste foram as que tiveram a menor busca por crédito, com -32,2% e -32,9%, respectivamente, na comparação entre abril deste ano com igual mês do ano passado. Em seguida, vieram Norte (-24,2%), Sudeste (-22,9% ) e Sul (22,2%).
Houve queda na procura por crédito em todas as faixas de renda. Quem recebe até R$ 500, o recuo foi de -27,5%; entre R$ 500 e R$ 1 mil, -26,4%. Já na faixa com ganhos maiores, de até R$ 2 mil mensais, a retração chegou a 25%. Essa menor corrida mostra os estragos provocados pela pandemia do novo coronavírus no mercado.
Além da escassez de recursos dos trabalhadores, que tiveram contratos suspensos ou corte de carga de trabalho e renda, os bancos também têm endurecido a tomada por crédito, com exigências cada vez maiores devido, principalmente, ao risco do crescimento dos níveis de inadimplência. Já aqueles trabalhadores com renda mais elevada, por insegurança temem a busca por crédito com medo das incertezas do mercado.
Esse indicador da Serasa é só a ponta do iceberg dos efeitos da pandemia sobre a economia com um todo. Os níveis de desemprego já dispararam em abril. Em relação à economia, especialista já projetam encolhimento de até 7% no Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. Então, diante deste cenário catastrófico, o consumidor deve sim ficar mais comedido e evitar as compras por impulso e o endividamento.