A duras penas, a economia brasileira vai dando sinais de recuperação. Tímida, mas real, como aponta o PIB trimestral divulgado esta semana.
O indicador registrou aumento mínimo, mas significativo, dada a conjuntura, de 0,2% em relação ao período anterior. Foi o sexto positivo, depois de oito oscilações para baixo.
Mesmo assim, os níveis de emprego ainda estão bem aquém do ideal, o crédito continua difícil e o faturamento, em baixa, principalmente para micro e pequenos empresários.
E aí entra em cena a criatividade, como mostra reportagem desta edição. Cientes das dificuldades do cenário macroeconômico, prestadores de serviço e comerciantes da capital têm buscado soluções inovadoras para aquecer os negócios, a despeito dos efeitos ainda presentes da recessão.
Dividir o imóvel com um parceiro de ramo que possa ser complementar, com ganhos para as partes, criar novos produtos e serviços, compreendendo as necessidades dos clientes e as circunstâncias do mercado, e aproveitar a mobilidade como diferencial, atendendo ao consumidor onde ele estiver, são alguns exemplos dessa diversificação. Algo que tem aberto a janela para muita gente que se sentia sufocada.
Há casos bastante emblemáticos, como o de uma lojista de roupas femininas que cedeu parte de seu espaço comercial a um salão de beleza.
Com isso, ela aliou dois possíveis interesses da clientela: comprar um vestido e fazer uma hidratação, um corte ou as unhas, por exemplo, em uma única visita ao local.
Também há a experiência da dona de um comércio de artigos femininos, que inaugurou, no quintal da casa onde a empresa funciona, uma espécie de salão festas, com muita música e gastronomia. Assim, aumentou o faturamento, atraindo novos fregueses.
O fato é que iniciativas bem-sucedidas não faltam e comprovam que a chamada economia criativa, aquele conjunto de atividades nas quais criatividade e capital intelectual são os verdadeiros fundamentos para produzir e distribuir bens de consumo, veio para ficar.
Afinal, entrar no mercado é fácil; permanecer nele e prosperar, contudo, sobretudo em tempos de aperto financeiro, exige muito mais que determinação.