Editorial.

Crise afeta rendas e muda comportamentos

Publicado em 14/11/2018 às 22:39.Atualizado em 28/10/2021 às 01:50.


A dinâmica da economia em períodos longos de crise, como a que vive o país, provoca, obviamente, efeitos perversos sobre a vida das pessoas. Um deles diz respeito à grande oscilação na renda das famílias, gerada, infelizmente, por fatores externos, que fogem ao controle de cada uma.

O status quo de muita gente parece um ioiô: ora a capacidade de consumo cai, ora sobe novamente e depois despenca, em curtos intervalos que são influenciados por questões como o nível geral de empregos e o fluxo de investimentos em setores diversos.

E é exatamente o que mostra recente estudo da Nielsen, multinacional especializada em pesquisas de consumo, apresentado nesta edição.


Conforme o levantamento, este ano, 12 milhões de famílias brasileiras conseguiram algum alívio nas contas. Em contrapartida, os moradores de 15 milhões de lares entraram em crise pela primeira vez ou, simplesmente, voltaram a sofrer seriamente com a escassez de recursos. Hoje, no Brasil, são 27 milhões de famílias nessa situação. 

O fenômeno acarreta alterações em cadeia em toda a economia. De um lado, consumidores mudam de comportamento e, mais direcionados, procuram por promoções e produtos mais baratos em substituição aos que costumavam adquirir, além de ficarem muito mais econômicos ao ir às compras.

De outro, as empresas tentam se adequar a tal realidade, adotando novas estratégias, alterando tradicionais formatos de vendas e até seus modelos de loja.

Para evitar o pior, muita gente também busca empréstimos para enfrentar a perda do poder aquisitivo: de acordo com a pesquisa da Nielsen, por exemplo, do grupo de famílias em crise, 67% estão endividadas no cartão de crédito e 12% recorreram ao crédito consignado.

A empregabilidade igualmente se modifica, com mais gente buscando formas de geração de renda extra, principalmente por meio de ocupações que consideram temporárias, como os motoristas de aplicativos de transporte e os vendedores autônomos. 

O quadro, como se vê, é grave, mas ainda não se pode falar em terra arrasada.

Resta-nos, claro, a confiança em políticas que reanimem a economia e tragam dias melhores para todos. 
 

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