Editorial.

Crise dá outro sabor à ceia de Natal

Publicado em 22/12/2017 às 22:38.Atualizado em 03/11/2021 às 00:25.

A ceia de Natal terá um sabor um pouco mais amargo neste ano. A inflação deu trégua, mas para brasileiros e mineiros que perderam o emprego ao longo de 2017 e estão vivendo na pele o drama da recessão, não adianta os preços de alguns produtos ficarem mais baixos, porque não têm como comprar.

A crise, aliás, será o tempero principal do tradicional jantar e almoço natalino em 2017. Com o orçamento apertado e menos dinheiro para gastar, o consumidor vai impondo seu jeitinho nas receitas e trocando ingredientes mais salgados por outros mais em conta. 

Uma das principais estratégias usadas é substituir o peru pelo pernil, lombo ou chester, que na verdade é o frango geneticamente modificado e com tamanho bem maior que o tradicional. 

O site de comparação de preços Mercado Mineiro foi a campo e constatou. Enquanto o quilo do peru é vendido em estabelecimentos de Belo Horizonte por R$15,20, mesma quantidade de pernil custa pouco mais que R$ 11. Já o quilo do frango gira em torno de R$6, ou seja, menos da metade do valor do peru. 

Outros produtos que vem ganhando mais espaço no carrinho de supermercado são as frutas cristalizadas, em detrimento das oleaginosas. Aliás, o preço das nozes e castanhas está pela hora da morte. O quilo da iguaria pode chegar a custar até R$ 90 em alguns supermercados da capital. Já as frutas cristalizadas são encontradas por menos de R$ 10, o quilo. Troca feita!

Antenados, os empresários perceberam a nova realidade do bolso do freguês e adaptaram as prateleiras. Praticamente não se vê mais aquelas montanhas de bacalhau e pistache. As gôndolas foram dominadas pelos panetones, que geralmente têm preço camarada. 

Com uma pitada de criatividade, também entrou na moda de Natal a “vaquinha”. Para baratear e ratear a despesa, consumidores se tornaram adeptos da ceia conjunta, em que cada participante fica responsável por um item do cardápio. A estratégia faz com que a ceia continue farta e saborosa, sem desfalcar a conta bancária de ninguém. 

Certo é que, independente da fartura e da variedade da mesa, o importante mesmo é confraternizar com a família e amigos. Feliz Natal a todos! 
 

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