Editorial.

De volta à estaca zero. Não foi sem aviso

Publicado em 26/06/2020 às 21:39.Atualizado em 27/10/2021 às 03:53.


O que era uma possibilidade, aventada desde o início da flexibilização das regras de distanciamento social em Belo Horizonte, se confirmou. Se para alguns soava como ameaça do prefeito Alexandre Kalil (PSD), o embasamento médico-científico por trás do enfrentamento à pandemia de Covid-19 na capital deixava claro que um recuo seria uma resposta à piora do quadro, em termos de números de casos e de ocupação de leitos de UTI. E justamente pelo fato de ainda não se registrar um colapso, mas de sua possibilidade ser cada dia mais real, optou-se pela “volta à estaca zero” na flexibilização a partir de segunda-feira.

Justamente pelo rigor científico adotado e pelo respeito a parâmetros claros, não se pode tomar como parâmetro o que vem ocorrendo em outras capitais que, embora com cenário bem mais preocupante, preferem seguir o caminho oposto e já falam na reabertura de bares e restaurantes e no retorno às aulas presenciais. Assim como BH, cidades como Curitiba e Florianópolis também preferem endurecer novamente as medidas de combate ao novo coronavírus.

E parece tão mais sensato encarar a situação de uma forma sistêmica, envolvendo também municípios limítrofes como Contagem, que seguirá igual caminho. É importante considerar a Região Metropolitana como um grande cinturão entrelaçado, e impedir que o vírus siga qualquer um dos caminhos - da capital para o entorno, e vice-versa.

Há um impacto econômico indiscutível para os setores que tentavam se reerguer ao longo dos últimos 30 dias; assim como o descontentamento manifesto e compreensível de quem, embora não-essencial, precisa ter as portas abertas. Por outro lado, o compromisso com a vida e um atendimento adequado aos pacientes é, como bem destacou o prefeito, maior do que quaisquer outros no momento. Se há o que poderia ter sido melhor equacionado pelo poder público, como a questão do transporte coletivo, muito da decisão se deve à insistência da população em ignorar determinações e decretos. O que, se mantido, não apenas compromete a busca pela nova normalidade em prazo menor, como mesmo sua efetivação de forma definitiva. O que vinha sendo exemplo de condução da crise volta à estaca zero. Assim, perdem todos.

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