As eleições municipais deste ano marcam não só o fim da gestão de Marcio Lacerda em Belo Horizonte. A campanha que deverá se iniciar de vez nos próximos dias será o fim da aliança inédita que levou o ex-secertário de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas, desconhecido por grande parte da população, ao posto de prefeito de uma das mais importantes capitais do país, sob as bênçãos dos dois maiores partidos nacionais.
A aliança, inédita e até hoje incompreendida por líderes de fora de Minas, por colocar PT e PSDB do mesmo lado, ao contrário do que ocorria no cenário nacional, sofreu um baque com a saída dos petistas já em 2012. Agora, pelas palavras do próprio Lacerda publicadas com exclusividade pelo Hoje em Dia nesta edição, os tucanos também deixam a composição para lançamento de uma candidatura própria para liderar a gestão da PBH.
“Quem se sair bem até outubro deste ano estará em boas condições para costurar as alianças para a disputa pelo Palácio Tiradentes em 2018”
Coligações entre partidos sempre são difíceis, mesmo para as siglas que caminham lado a lado durante toda a gestão. Projetos pessoais ou de um partido apenas, muitas vezes, são colocados à frente do bem estar da população em geral. Por causas dessas discussões, os líderes começam a se movimentar bem antes das consolidações das candidaturas. Não há também como agradar a todos, e sempre um lado sai menos satisfeito do que outro. Aliás, é bem difícil que algum lado saia completamente satisfeito desse tipo de negociação.
Se a disputa ficar mesmo entre PSB, PT e PSDB, as eleições de Belo Horizonte terão um confronto maior do que entre os nomes que vão se apresentar como candidatos – Paulo Brant, Reginaldo Lopes e João Leite, respectivamente. Será um teste para o capital político dos líderes que coordenam as movimentações de cada legenda: o governador Fernando Pimentel, pelo lado petista; o senador Aécio Neves, pelo ninho tucano; e o atual prefeito Marcio Lacerda, sob o escudo socialista.
Claro que só um candidato vai conseguir a vitória nas urnas, mas nesse confronto de líderes, o resultado não ficará restrito apenas a uma conjuntura local. Quem se sair bem até outubro deste ano estará em boas condições para costurar as alianças para a disputa pelo Palácio Tiradentes em 2018, já que os nomes de Lacerda, Aécio e Pimentel, esse pela reeleição, deverão ser os mais lembrados para a disputa daqui a dois anos.
Já quem não conseguir os objetivos terá mais dificuldades e poderá ter que mudar de planos para o próximo confronto político. Enfim, com o rompimento do PSB e PSDB, a eleição de Belo Horizonte ganha contornos interessantes e de difícil prognóstico.