Editorial.

Doação de órgãos é ato de razão e amor

Publicado em 27/09/2018 às 00:34.Atualizado em 10/11/2021 às 02:40.


Já se vão 64 anos desde que, em 1954, foi realizado o primeiro transplante bem-sucedido de um órgão (um rim) em um hospital dos Estados Unidos. 

Ao longo das últimas seis ou sete décadas, a medicina avançou bastante. Ampliou-se, em todo o mundo, com destaque para o Brasil – segundo colocado no ranking mundial de transplantes – a lista de órgãos passíveis de transferência entre as pessoas, como coração, fígado, pulmões, pâncreas, córnea e pele. Como resultado, milhares de vidas foram e continuam sendo salvas, a cada ano.

Contudo, dados trazidos nesta edição, justamente na comemoração do Dia Nacional de Doação de Órgãos e Tecidos, data que marca o chamado “Setembro Verde”, causam imensa preocupação, especialmente para os mineiros. 
Segundo a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), o percentual de famílias do Estado que se recusam a doar órgãos de parentes falecidos, classificados como potenciais doadores, atingiu o maior patamar nos últimos sete anos: 60%, ou seis em cada dez, conforme levantamento feito de janeiro a junho deste ano.

O reflexo disso é que o MG Transplantes, responsável por coordenar as doações, registrou queda de 6% nos procedimentos, de janeiro a julho. O balanço é frustrante, já que a expectativa da entidade, em abril, era de ampliar o serviço em 15% neste ano, ante crescimento também significativo, de 13%, em 2017.

Entre os motivos da baixa estão a falta de informação, crenças religiosas que contrariam o bom senso e a ausência de vontade política, já que o Brasil precisa avançar bastante na legislação sobre o tema.

Hoje, para ser doador, não basta ao cidadão expressar tal vontade em vida. Também é necessário que familiares autorizem por escrito a operação. A boa notícia é que tramita no Senado um projeto de Lei que torna automática a doação, bastando para isso o desejo manifesto pelo doador.

Enquanto a legislação não muda, resta apelar a todos para que compreendam as doações como um ato de razão, amor e humanidade. As campanhas de conscientização, mostrando inúmeros casos de quem foi salvo ou teve a qualidade de vida melhorada ao receber órgãos, são, por enquanto, o melhor caminho.
 

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