Os números de infectados e mortos pela Covid-19 em Minas Gerais seguem felizmente menores do que se poderia esperar, diante da facilidade de disseminação da doença. A taxa de letalidade de 3% segundo o balanço desta segunda-feira é bastante inferior à verificada em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Amazonas, que hoje representam a principal preocupação em termos nacionais.
Ainda assim, justificam toda a cautela possível ao considerar cenários de retomada ou de mobilização de forças para o enfrentamento.
Sempre é importante lembrar que o número de casos suspeitos ainda é elevado, consequência da velocidade nos testes de diagnóstico abaixo da ideal. O que deixa sempre em aberto a possibilidade mais que concreta da subnotificação – um estudo da Universidade Federal de Pelotas mostrou que, no Rio Grande do Sul, para cada caso confirmado, até sete não estariam nas estatísticas oficiais, seja pelos pacientes assintomáticos, seja por aqueles que não tiveram o diagnóstico ratificado. O desenrolar da curva de contágio esperado pelas autoridades em todo o mundo é o que prevê um aumento no número de casos muito superior ao de óbitos, o que reduziria progressivamente a letalidade da doença.
Por outro lado, as certezas envolvendo o novo coronavírus não são muitas, a ponto de até mesmo a imunização de quem se recuperou ser questionada, considerando casos em que isso não ocorreu. Neste aspecto, se mostra sensata a decisão da Prefeitura de Belo Horizonte de ainda não trabalhar com o afrouxamento do isolamento social. Especialmente levando em conta a perspectiva de que, mantido o panorama atual, a cidade possa retomar sua normalidade de forma menos gradual, mas igualmente mais segura.
O ideal é que a retomada ocorra sem que o vírus circule; do contrário, permanece o risco de um pico capaz de colapsar o sistema de saúde, ainda que reforçado com novos leitos de terapia intensiva e hospitais de campanha. Algo que aumentaria, consequentemente, o perigo de que municípios hoje livres também sejam atingidos, criando um círculo perverso, já que em muitos casos precisariam recorrer aos grandes centros para a atenção especializada aos pacientes.
Não é possível baixar a guarda, situação que deve permanecer por um bom tempo. E tanto quanto as determinações do poder público, cabe ao cidadão adotar posturas protetivas e preventivas que colaborem com o esforço. Se cerca de 200 mortes foram evitadas até agora, que outras tantas também não precisem acontecer por descuido ou precipitação.