A divulgação do resultado por escolas no Exame Nacional do Ensino Médio é mais um parâmetro que mostra como a qualidade das nossas escolas públicas está muito aquém do aceitável. Tanto no ranking geral quanto no por áreas de conhecimento, os colégios particulares são responsáveis pelas maiores notas. As instituições públicas que aparecem nas listas são aquelas ligadas a universidades federais ou instituições militares, de acesso difícil ou restrito à população em geral.
Na lista de melhores desempenhos publicada pelo Portal Hoje em Dia, apenas uma escola pública “convencional” se destacou: a Escola Estadual Benedito Ferreira Calafiori, de São Sebastião do Paraíso, Sul de Minas, que foi a 10ª colocada em redação no Estado. No demais recortes, somente escolas de acesso mais restrito aparecem, com destaque para as militares, que têm um modelo de educação muito específico, com foco principalmente na disciplina. Não parece adequado, nem viável, para se transportar para as demais escolas.
Não que a educação pública deva ter uma obsessão pela nota no Enem, como alguns colégios particulares possuem hoje, muita para fazerem propaganda. Mas o recomendável é dar ao aluno uma formação adequada para que ele tenha condições de escolher uma faculdade e não ter dificuldade para seguir a formação. E isso não está acessível a todos os brasileiros. Só para quem pode pagar caro (bem caro, aliás), para quem nasceu em família de militar ou passe por processo de seleção concorrido.
Por isso, uma reforma do ensino médio é mais que necessária e urgente. Mas esse “urgente”, em se tratando de uma política educacional não pode ser para daqui a um ano e meio, como o atual governo federal pretendeu quando lançou a medida provisória de reforma do ensino.
Ainda bem que, segundo a própria secretária-executiva do Ministério da Educação, Maria Helena Guimarães, a velocidade de implantação das mudanças dependerá das discussões, e as alterações poderão valer apenas para 2019. Recuo mais que oportuno da atual gestão.
Agora, especialistas, educadores, pais e alunos (eles também precisam ser ouvidos) devem se debruçar sobre esses dados e elaborar o um modelo que acabe de vez com a regra de que educação pública de qualidade é para poucos no Brasil, muito poucos.