Os vencedores da eleição neste segundo turno, tanto na corrida ao governo do Estado quanto na briga pelo Palácio do Planalto, terão grandes desafios pela frente.
Dificilmente, conseguirão bons resultados já nos primeiros meses de gestão, dada a complexidade das situações que devem enfrentar, saindo da condição de postulantes a titulares de cargos de tamanho relevo.
Independentemente de disputas travadas durante a campanha, algumas vezes eivadas de exageros, informações imprecisas e até de bravatas, aqui e ali, os escolhidos precisarão tomar conhecimento, de maneira mais aprofundada, das contas e das mazelas reais do Executivo, em Minas e em Brasília, antes de colocar em prática seu planejamento.
Também deverão costurar apoio nas casas legislativas e buscar respaldo de amplos setores da sociedade, sem os quais pode tornar-se impossível governar.
Embora estejam sob a irrefutável legitimidade franqueada pelo processo eleitoral, terão ainda de desenvolver estratégias factíveis e consensuais para atingir aquilo a que se propuseram, sob pena de frustrarem não apenas quem os elegeu, mas toda a população.
É com essa consciência que não apenas os eleitores, mas também os eleitos, os derrotados e as forças políticas que os sustentaram, devem receber o resultado do pleito, a ser divulgado domingo.
A máxima segundo a qual não existem salvadores da pátria é, especialmente nas democracias, inegável realidade, por mais que alguns insistam em pensar o contrário.
Da mesma forma, devem ser descartadas as soluções mirabolantes, com grandes e imediatos benefícios para a vida dos cidadãos. O que se espera, em vez disso, são medidas consistentes, adotadas com os pés no chão e que, mesmo demandando tempo para surtir efeitos, possam tornar melhor a vida da coletividade.
No caso mineiro, por exemplo, no rol de hercúleas tarefas a serem encaradas pelo futuro governador, uma das principais, sem dúvida, é a obtenção do equilíbrio das contas públicas.
Sob impacto de grave crise fiscal e com o desenvolvimento econômico estagnado, nos últimos anos, o Estado chegou a atrasar e parcelar salários de servidores e os repasses de milhões em verbas a prefeituras, gerando greves e paralisações nas prestações de serviços.
Nesse quesito, especialistas preveem que deve levar pelo menos um ano para que as primeiras mudanças comecem a ser sentidas. Paciência com os próximos governantes após as eleições, como se vê, será imprescindível.