Editorial.

Epidemias ameaçam

Publicado em 28/05/2016 às 18:16.Atualizado em 16/11/2021 às 03:38.

No ano 2000, vários estados brasileiros, incluindo Minas, receberam a certificação de erradicação da doença de Chagas, o que representou um alívio para populações que sofreram durante muitas décadas com a ação do barbeiro. Doze anos depois, ela voltou. 

Outras doenças consideradas controladas no Brasil estão dando as caras novamente. A morte de macacos em três cidades do Norte de Minas está sendo investigada como supostamente provocada pela febre amarela silvestre, transmitida pelo mosquito Haemagogus, que entre 1980 e 2004 matou 339 pessoas no país. A última ocorrência, em Ubá, na Zona da Mata, foi em 2009. Agora, autoridades sanitárias alertam para o risco de volta da doença em humanos. Como não há vacinação, uma vez que ela não circula normalmente em cidades, o perigo é grande. Em tempos de falta de vacina para a gripe H1N1, como pensar em imunização de uma doença considerada erradicada?

O fato lembra a identificação do vírus da gripe espanhola em 2014 por cientistas norte-americanos. E o assombroso Ebola, que dizimou milhares na África.
Se as autoridades de Saúde quiserem de fato cumprir seu papel em prol do bem público, devem se preocupar. Afinal, vírus e bactérias responsáveis por milhões de mortes estão de volta, favorecidos por um mundo globalizado, com número grande de viagens internacionais. Especialistas pedem cuidado, mas é de fato difícil controlar a “exportação” de vírus e bactérias, especialmente porque países europeus, alguns asiáticos e os Estados Unidos não têm calendário de vacinação pela baixa incidência desse tipo de doença. 

A necessidade de monitoramento desses casos é urgente. O Brasil não está preparado para enfrentar uma nova epidemia de febre amarela, enquanto luta, sem sucesso, contra a proliferação das doenças do Aedes aegypti. Dengue, zika e chicungunya já absorvem investimentos e campanhas de agentes públicos, desde o Ministério da Saúde até as prefeituras. Minas é um dos estados que mais sofrem com essas doenças, e agora se vê às voltas com o fantasma da febre amarela. 
Não basta torcer para que as pesquisas descartem a relação das mortes dos macacos com o mosquito transmissor da febre amarela. Embora sejam muitos os compromissos do setor, é preciso estar atento às novas ameaças. Controle, neste caso, é tudo. 

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