A fusão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) com o Ministério das Comunicações foi uma das primeiras ações do Governo Temer no sentido de reduzir os custos da máquina pública. Os dois ministérios tinham funções distintas e, para a comunidade científica brasileira, a união das duas pastas só prova que o país não valoriza e não entende que a ciência e a tecnologia são fundamentais para o desenvolvimento do Brasil.
E esses profissionais têm razão. É difícil lembrar de um governante do país que tenha voltado sua atenção para uma área que traz progresso à nação e faz com que ela possa reduzir importações de produtos e medicamentos de alto valor agregado e aumentar exportações que valorizem o potencial intelectual de nossos cientistas.
Sim, eles existem. Apesar de pouco aparecerem nas manchetes dos jornais e nos prêmios de grande relevância internacional, eles estão nos laboratórios das universidades federais (e particulares, também) lutando contra a falta de estrutura – cadeiras quebradas, armários dispostos nos corredores, e, falta de verbas, tanto para começar quanto para continuar uma pesquisa que pode representar grande avanço em uma certa área.
Prova disso é um estudo que está em fase final na UFMG e é tema de matéria na edição de hoje nas páginas 18 e 19. Pesquisadores do Instituto de Ciências Biológicas aguardam verba dos órgãos de financiamento do governo federal para dar sequência a uma vacina desenvolvida para interromper o ciclo de transmissão de uma doença que assombra os donos de cães: a leishmaniose. A doença não tem cura, há apenas medicamentos para amenizar o sofrimento do animal.
Criar uma cultura científica em um país em desenvolvimento como o Brasil é um desafio que envolve grande volume de investimentos em educação e cultura, mostrando a importância disso
Já foram feitos testes, desta pesquisa que é pioneira mo mundo, e houve a comprovação de que a vacina funciona. Estando ela disponível no mercado, a quantidade de cães sacrificados seria reduzida de forma drástica. A Zoonoses de Belo Horizonte, por exemplo, até maio, sacrificou quase 1.200 animais infectados.
O remédio é aguardado ansiosamente não só pela comunidade científica, o que vai representar uma importante vitória para a pesquisa no Brasil, e pelos médicos veterinários, que terão uma alternativa à eutanásia.
Para concluir a pesquisa falta R$ 1,5 milhão. Será que liberar esse valor para o ICB não reduziria, e muito, os gastos dos órgãos de saúde pública com a leishmaniose? Só uma pergunta...