Muito se fala da falta de qualidade da classe política brasileira. Mas não podemos nos esquecer que ela apenas reflete o que é a nossa sociedade atual. Corrupção e desrespeito ao que é de todos não ocorrem apenas em gabinetes no Legislativo ou em Brasília.
Em um país em que 35% das pessoas têm somente o ensino médio e apenas cerca de 16% dos habitantes completaram o curso superior, não é de surpreender que entre todos os 77 mil candidatos a prefeito e vereador as proporções se repitam.
Isso prova o alcance dos impactos negativos de uma sociedade que não tem na educação, de fato, uma prioridade, apesar de ser uma das palavras mais ditas na propaganda eleitoral.
Claro, não há uma regra. Tivemos um ex-presidente que nunca tinha tido um diploma na vida – conforme Lula confessou ao ser diplomado pela Justiça Eleitoral –, e que comandou o país no maior ciclo de crescimento das últimas décadas. Por outro lado, muitos dos envolvidos nos recentes escândalos de corrupção, como o da Petrobras, foram formados nas melhores universidades do Brasil e do mundo. Diploma não é garantia total de competência e, muito menos, de honestidade.
Mas, assim como em qualquer área, quanto mais pessoas com alguma especialidade estiverem em uma equipe, melhores as chances de sucesso nos objetivos.
E na grande maioria das prefeituras e das câmaras municipais há um falta imensa de gente capacitada para gerir o dinheiro público, tratar as prioridades e honrar responsabilidades. As consequências são, muitas vezes, a perda de verbas ou investimentos direcionados de forma errada, evitando a melhoria da qualidade de vida da população, principalmente nos pequenos municípios.
A lei veta qualquer tipo de restrição em termos de formação para uma pessoa se candidatar. Apenas um cidadão analfabeto não pode concorrer a um cargo público.
Portanto, a responsabilidade de fazer essa seleção é do eleitor. Não é preciso exigir diploma, pós-graduação ou mestrado, mas a escolha precisa levar em conta o histórico do candidato. Antes de votar, verifique quem tem o perfil adequado para cuidar da cidade, em quais causas ele já se envolveu e se já teve envolvimento em algo ilícito.
Esse profissional que o eleitor colocar em um cargo público vai gerir o dinheiro de todos. Mas ao contrário de uma empresa, se ele falhar, só poderá ser “demitido” daqui a quatro anos.