Editorial.

Hora certa de pisar no freio

Publicado em 20/06/2020 às 08:48.Atualizado em 27/10/2021 às 03:49.

Desde que foram anunciadas as primeiras medidas de relaxamento do isolamento social, em 25 do mês passado, Belo Horizonte convive com o aumento do número de casos de Covid-19 e de óbitos provocados pela doença. Em percentuais que chegam, respectivamente, a 160% e 106%. 

Os próprios especialistas em saúde que assessoram a Prefeitura a definir os próximos passos no enfrentamento alertavam para o fato de que o pico da doença na capital ainda não havia chegado, e que estaria próximo justamente no período que compreende o fim deste mês e o início de julho.

Seria sinônimo de inocência acreditar que, uma vez com maior presença de pessoas nas ruas nas mais variadas atividades, a incidência do novo coronavírus não cresceria em BH. Ainda que diante de um cenário planejado de reabertura gradual, e da insistência para que as pessoas permaneçam em casa, exceção feita às atividades estritamente necessárias, como o trabalho ou a compra de gêneros essenciais. Até agora a cidade lidou com a pandemia de forma elogiável, sendo uma das últimas no país a caminhar para um afrouxamento da quarentena, mesmo diante da pressão de diversos setores econômicos pela retomada.

Já num primeiro momento adotou-se um discurso cauteloso que prevê, numa eventual explosão do número de casos, a volta a medidas mais rigorosas que, num cenário extremo, chegariam ao lockdown. Possibilidade que segue no planejamento das autoridades de saúde, e que, como desde o início da pandemia, dependerá do comportamento das pessoas e das medidas de prevenção adotadas por todos.

É importantíssimo não enxergar, no afrouxamento, um sinal verde para retomar aglomerações, ignorar as orientações de proteção e considerar que o pior já passou. Tanto assim que, nesta sexta-feira, a PBH optou por não dar outro passo adiante no calendário de reabertura. 

Várias ainda são as atividades impedidas de serem reiniciadas presencialmente, mas a pressa não cabe quando se trata da proteção das vidas humanas. O momento exige grande responsabilidade e participação de todos. E diante dos indicativos, justifica que se pise no freio, à espera de condições mais favoráveis para o restante do caminho rumo ao novo normal.
 

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