Sem entrar na discussão das medidas anunciadas pela gestão Michel Temer, o que temos até agora são contradições, idas e vindas de um governo que tenta acertar o passo. Os diversos convites feitos, e recusados, para a Secretaria Nacional de Cultura são apenas um dos problemas. E, agora, o presidente interino pensa em recriar o Ministério da Cultura, por sugestão de Renan Calheiros, presidente do Senado.
O assunto mais grave, até agora, é a reforma da Previdência que também não foi combinada antes. Henrique Meirelles queria mudanças imediatas, com redução da idade mínima para trabalhadores na ativa. No entanto, a reação das centrais sindicais fez com que o presidente interino Michel Temer chamasse os líderes para conversar e, agora, Meirelles precisa esperar uma proposta deles. O ministro não ficou satisfeito, pois tem pressa nas mudanças, mas o PMDB é um partido bastante político e não se esquece das eleições que se aproximam.
O vai e vem de medidas incluiu a desautorização do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, que tentou acabar com a lista tríplice para escolha do procurador-geral da República. Não teve aval de Temer. Houve ainda o caso do ministro da Saúde, Ricardo Barros, anunciando o encolhimento do SUS e tendo que voltar atrás.
Outro aspecto do governo Temer nesses primeiros dias, que vai distribuindo insegurança para todo o país, é a falta de qualificação dos ministros, a falta de sintonia entre os nomes escolhidos e as pastas. O Hoje em Dia identificou 11 nessa situação.
Um exemplo que chama a atenção é o do pastor da Igreja Universal Marcos Pereira. Ele é o ministro da Indústria, Comércio sem qualquer afinidade com a área, como já admitiu. Imagine uma reunião técnica sobre os problemas fiscais que afligem a indústria brasileira nos diversos setores! De que forma pode se posicionar um ministro sem qualquer experiência na área?
As escolhas de Temer foram meramente políticas. É bastante compreensível que um presidente, ainda mais na condição de interino e aguardando a votação final do impeachment da titular do cargo pelo Senado, queira se cercar de apoiadores. No entanto, a falta de sintonia entre as competências de cada um do primeiro escalão e as áreas administradas põe em dúvida o projeto de governo do PMDB. A todos parece impossível isso dar certo.