Pouco adiantam as placas de sinalização quando se quer ganhar ‘alguns segundos’. Com as desculpas mais variadas (e esfarrapadas), não são poucos os motoristas que ignoram a ordem habitual do trânsito para trafegar na contramão.
Uma situação que, dadas as circunstâncias, pode se mostrar aterradora para quem segue a direção determinada, tanto mais se no comando de um veículo menor (moto ou bicicleta, por exemplo). E que não raro provoca mais do que apenas sustos, levando a acidentes graves, diante do pouco tempo de reação de quem se depara com o inesperado.
Embora não haja estatísticas além das que mostram o aumento das ocorrências em Belo Horizonte, é possível creditar boa parte delas a um fenômeno fruto da evolução tecnológica. Na verdade, três: o primeiro deles o uso cada vez mais disseminado dos aplicativos com mapas. Que permitem, aos motoristas, se orientar por regiões desconhecidas em busca do caminho mais rápido. Aplicativos estes que, constantemente atualizados, indicam trajetos levando em conta a mão de direção.
Mas que nem sempre trazem todas as mudanças, interrupções ou inversões de sentido tão logo efetuadas.
Entra aí o segundo fenômeno: a multiplicação de motoristas de aplicativos que, por não ter a mesma experiência ou tempo de praça dos taxistas, se apegam ainda mais às indicações dos mapas virtuais. Eles, como tantos outros que não têm no trânsito o ganha-pão, acabam deixando em segundo plano, ou mesmo ignorando solenemente, a sinalização existente, presente na grande maioria das ruas e avenidas.
O terceiro da lista é velho conhecido, mas ganhou novo fôlego com a explosão dos apps de entrega de comida. No afã de trabalhar mais e reduzir ao máximo a perda de tempo, muitos motociclistas, às barbas da lei, insistem em percorrer trechos, ainda que pequenos, em sentido proibido. Colocando em risco de forma consciente não só a própria integridade, como a de quem trafega de forma correta.
Diante de um cenário que mostra que a educação para o trânsito e a conscientização são insuficientes, uma fiscalização ainda mais rigorosa pode ser o antídoto para o problema. Mexer no bolso (e trazer o risco de recolhimento da CNH) tem sido a forma mais rápida e eficiente de ensinar.