Nesta semana, boletim Focus, do Banco Central, indicou que a inflação continua subindo neste ano, mas com alguma desaceleração. O resultado do IPCA-15 foi ruim, mas a expectativa para os últimos 12 meses caiu de 6,09% para 6,01%. Pode parecer pouco, mas se houve reajuste das taxas de água e energia, medicamentos, para não falar dos alimentos que não param de subir (exceto sazonais quedas de preço), o resultado poderia ter sido pior.
Para o ano que vem, a previsão do Banco Central é de uma inflação de 5,50%. Considerando as mudanças que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, pretende fazer na economia, a taxa pode até melhorar. No entanto, dada a turbulência política que assola o Brasil, qualquer melhora nos indicadores é positiva e não pode ser desprezada. A prévia da inflação, segundo analistas, mostra que ainda é cedo para se mexer na taxa de juros.
A redução do índice de inflação também indica retração no consumo. O aumento do número de desempregados leva à redução do número de consumidores, forçando os empresários a reduzirem os preços
E o crescimento das riquezas do país? A inflação pode cair um pouco, mas isso não impacta o comportamento do nosso Produto Interno Bruto (PIB). Não há força no governo do PMDB para reverter a previsão de queda de 3,8% no fechamento de 2016. O Banco Central prevê crescimento de 0,5% em 2017. Ou seja, uma reversão do quadro está nos planos do Ministério da Fazenda, embora se saiba que o comportamento da economia mundial tenha também influência no PIB brasileiro. Considerando que a Europa iniciou recuperação da crise, pode-se esperar, de fato, melhor desempenho das nossas riquezas.
Até 2017, no entanto, muito aperto passarão empresas e empregados. Não é preciso se andar muito pelas ruas das principais cidades brasileiras para se notar o fechamento das lojas. Em Belo Horizonte, o Barro Preto, polo atacadista de moda, sofre com a queda nas vendas e a desistência de comerciantes, que prefere fechar as portas. A queda do consumo se nota também nos supermercados, bares e restaurantes. Neste sentido a redução do índice de inflação também indica retração no consumo. Menos pessoas comprando forçam a queda de preço. Afinal, vender para quem?
O aumento do número de desempregados leva à redução do número de consumidores, forçando os empresários a reduzirem os preços, sob pena de acumularem estoques. Na verdade, todos são obrigados a se adequarem à crise, torcendo para que, de fato, a inflação caia e o PIB cresça no ano que vem.