Editorial.

Jogar lixo em córregos é tiro no próprio pé

Publicado em 29/08/2018 às 21:44.Atualizado em 10/11/2021 às 02:11.
 
Em breve, terá início o período chuvoso na capital. É possível que, a exemplo do que ocorreu em outros anos, córregos transbordem, ruas e avenidas sejam inundadas e, como consequência, surja pela cidade um grande número de novos focos do mosquito Aedes aegypti. 
 
Em seguida, também podem reaparecer os já costumeiros surtos e epidemias de dengue, chikungunya e zika, isso para não mencionar outras doenças, como a febre amarela, cada vez mais próxima das áreas urbanas, a leptospirose, transmitida pela urina de ratos, e a ação de animais peçonhentos, como os escorpiões.
 
Obrigatório, porém, é que todos se lembrem de que parte considerável da responsabilidade por tal situação, caso ela se repita, será, também como de costume, da própria população. 
 
Reportagem desta edição mostra que, nos primeiros oito meses do ano, a despeito da intensificação da fiscalização e de campanhas de alerta feitas por autoridades municipais, a quantidade de lixo recolhida apenas em oito córregos da regional Centro-Sul subiu 47% em relação a todo o ano passado.
 
Foram 103 toneladas de detritos, ante 70 toneladas nos 12 meses de 2017. No material retirado dos mananciais, há de colchões velhos a ferragens, passando por sacolas, garrafas pet, brinquedos, roupas e destroços de móveis e eletrodomésticos. 
 
Uma das explicações para o aumento no recolhimento do lixo nesses locais, segundo a PBH, é a ampliação do número de equipes de limpeza destacadas para o trabalho. 
 
Mas é consenso, também, que a falta de educação de parte dos moradores das imediações dos córregos tem aumentado. E contribui bastante para a enorme sujeira.
 
Relatado na matéria, o testemunho da aposentada Delma Rodrigues, de 51 anos, que mora na Vila Acaba Mundo, corrobora isso. “Eu não jogo o lixo aqui, eu junto tudo e coloco lá para o caminhão buscar, mas, infelizmente, muitos vizinhos não são assim”, ela diz.
 
A solução, por óbvio, passa pelo aumento da conscientização das pessoas. 
 
Cabe ao poder público, no caso, fazer com que o cidadão belo-horizontino entenda, não apenas por meio de multas – que podem chegar a R$ 5,5 mil para quem dispõe rejeitos em córregos – que cursos d’água, definitivamente, não são lugar de lixo. 
 
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