Não importam estatísticas do poder público que eventualmente indiquem queda em índices de roubos, assaltos ou assassinatos. O fato é que, em tempos de crise econômica, a sensação de aumento da violência e da insegurança tende a se espalhar entre a população das grandes cidades, caso de Belo Horizonte.
Um dos efeitos disso, já há alguns anos, tem sido a organização de grupos de moradores e mesmo de comerciantes de determinadas regiões para enfrentar o problema. São movimentos civis que se dão, geralmente, por meio de parcerias com as forças policiais e que usam as novas tecnologias para tentar prevenir e reduzir crimes em suas vizinhanças.
Atualmente, na capital, pelo menos 153 bairros contam com tais iniciativas, somando 49 mil pessoas cadastradas em diferentes redes protetivas. E as novidades não param de surgir, como no bairro Buritis, onde moradores, assustados com o recrudescimento da violência nas portas de suas casas, adquiriram por conta própria câmeras de vigilância para monitorar pontos críticos. Há até uma central de acompanhamento das imagens, coordenada pelo grupo.
Entre os aspectos positivos desse tipo de atitude está o seu caráter cooperativo, bastante elogiado, inclusive, pela Polícia Militar. Afinal, até por questões numéricas e geográficas, é impossível que a corporação seja onipresente. Isso torna fundamental a existência de um esquema estruturado pela própria população para dar suporte a ações preventivas e reativas dos policiais.
Possíveis desdobramentos negativos, porém, exigem atenção. Não é exagero pensar que associações de moradores ou comerciantes que nasçam apenas para dar maior segurança a determinadas regiões possam passar, com o tempo, a sentir-se mais poderosas do que são ou a extrapolar sua atuação.
Já houve casos, recentes, de contratação de vigilantes particulares, alguns até armados, por vizinhos de determinadas regiões, o que é grave. Fechamento de ruas, fixação de regras comunitárias que possam ferir a dignidade ou a privacidade de alguns e, pior, a tentação de fazer justiça com as próprias mãos, em certos momentos, também são riscos a se considerar, sobretudo em tempos de radicalização, como o que vivemos. Todo cuidado nesse sentido, portanto, é pouco.
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