Editorial.

Mais Duas décadas longe do ideal

Publicado em 11/10/2016 às 20:59.Atualizado em 15/11/2021 às 21:11.

O ideal é quando um país têm um projeto definido com as prioridades definidas com a participação da sociedade civil, o que permite a garantia de investimentos em longo prazo nas áreas escolhidas, independentemente de qual pessoa ou partido que esteja comandando a gestão federal. 

Esse modelo também garantiria que os avanços obtidos por um governo não fossem destruídos ou paralisados por outro que o substitui. 

Uma das principais políticas implantadas pelo ex-presidente Lula foi a de ganho real para o salário mínimo. A gestão petista promoveu, sem dúvidas, a maior valorização do benefício na história recente do país, de 2003 a 2016, cerca de 77%. Tudo bem, houve um período econômico extremamente favorável que permitiu esse crescimento, e os reajustes recentes, com o PIB negativo, não foram acima da inflação, mas os méritos têm que ser atribuídos a quem soube aproveitar o bom momento para reverter o ganho econômico em social.

A gestão petista deixou o Planalto de maneira abrupta, por meio de um impeachment, e com altíssimo índice de rejeição, mas não é por causa disso que tudo o que foi feito durante os governos Lula e Dilma Rousseff deve ser abandonado.

É o que foi feito com a questão do salário mínimo na aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241 na noite desta segunda-feira. A fórmula petista foi abandonada e, segundo especialistas ouvidos pela nossa reportagem, o benefício deverá ser reajustado de acordo com a inflação pelos próximos 20 anos, ou seja, sem qualquer ganho real. 

Não que a fórmula fizesse que o mínimo, hoje em R$ 880, chegasse no nível considerado básico para uma família, que seria de R$ 3.795, mas a distância certamente seria menor do que é nos dias atuais. 

Isso é uma maneira indireta de passar a conta do desajuste fiscal para os mais pobres. Vamos lembrar que um dos fatores que permitiu o Brasil crescer de uma maneira significativa no início deste século foi justamente o ganho de renda das classes mais pobres, que manteve o mercado interno aquecido. 

Esperamos que a medida possa ser reavaliada no Senado e que o ganho real seja garantido para o trabalhador mais pobre, que não tem nenhuma culpa da crise que o país atravessa. 
 

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