Ainda que o foco e a preocupação principal relativos à pandemia sejam a saúde e a preservação de vidas, o passar do tempo em meio ao isolamento social e seus impactos na economia começa a revelar efeitos colaterais preocupantes. Pesquisa mostrada nesta edição revela como 52% dos entrevistados reconhecem não ter condição de cumprir com todos os compromissos mensais. Percentual ainda maior (59%) prevê a necessidade de acesso a crédito.
A combinação entre as dispensas necessárias nos mais variados setores econômicos e a redução salarial pactuada como tentativa de garantir a sobrevivência dos negócios faz com que caia o volume de dinheiro em circulação, intensificando um quadro de recessão que tende a permanecer por um bom período no pós-pandemia. A incerteza quanto à velocidade da retomada e a capacidade de reação da atividade produtiva (e do consumo) se mostra um complicador a mais para garantir a previsibilidade na definição dos orçamentos familiares.
O governo federal fez o que dele se esperava ao apostar em mecanismos temporários de ajuda, especialmente para os menos favorecidos - em todo o mundo a injeção de liquidez na economia pelo poder público é a grande ‘vacina’ para impedir um cenário de consequências catastróficas. A efetivação prática do conceito vem esbarrando em obstáculos logísticos, com filas em agências da Caixa Econômica Federal e problemas de acesso ao aplicativo criado para tal mas, ainda que aos trancos e barrancos, o auxílio tem chegado às mãos necessitadas.
Há que se pensar, no entanto, no período que sucederá o estado de calamidade, quando o suporte público será menor e mais localizado. Neste aspecto, instrumentos de concessão de crédito acessíveis e uma participação efetiva das instituições bancárias serão fundamentais.
A população vem procurando se ajustar à nova realidade revendo despesas, mas os reais efeitos da crise serão sentidos progressivamente. Mais do que nunca, a disciplina financeira terá papel preponderante. Navegar nos mares econômicos revoltos exigirá paciência para identificar as melhores oportunidades (mesmo de buscar ajuda financeira). Neste aspecto, dar as mãos para uma solução que contemple todos os estratos da pirâmide é algo imperativo.