Editorial.

Mais um front para a guerra

Publicado em 02/09/2016 às 00:07.Atualizado em 15/11/2021 às 20:39.

Quem comemorou ou se revoltou com o resultado de impeachment de Dilma Rousseff no Senado Federal não imaginava que a sentença assinada pelo ministro Ricardo Lewandowski se transformaria de cena final para apenas mais um capítulo de toda essa trágica novela, iniciada ainda no ano passado. Pelo contrário, a decisão do plenário abriu um novo front para a disputa entre governo e oposição, agora com os “polos invertidos”, que é Supremo Tribunal Federal.

Serão dois os aspectos que serão discutidos pelos ministros da Suprema Corte. O que deve render um debate maior é a manutenção dos direitos políticos da petista, o que seria inconstitucional, segundo os governistas, que propuseram o recurso ao tribunal. 

A defesa de Dilma preferiu abordar outro aspecto. Ela questiona a definição de crime de responsabilidade e que as pedaladas fiscais não estariam na lista de irregularidades passíveis de impeachment. Esse argumento tem o objetivo maior de criar a segunda frente de discussão sobre o caso no Judiciário, o que dá uma possibilidade a mais de reversão do quadro. 

A disputa no campo político também não se encerrou na última quarta-feira. A decisão do Senado de afastar Dilma Rousseff pode até ter um apoio de uma parcela considerável da população, mas respostas à crise terão que ser iniciadas rapidamente para que se passe a impressão que o governo efetivado tem um comportamento mais ativo que o destituído. 

Para isso, o governo precisa bastante do apoio do Congresso, onde o PT e outros parlamentares apoiadores de Dilma prometem uma oposição “firme, incansável e enérgica”, para usar as palavras da própria ex-presidente. 

Ainda não dá para saber se a oposição conseguir realmente atrapalhar o andamento das medidas de enfrentamento à crise que serão propostas pelo governo. A divisão da votação do impeachment em duas, irritando o presidente Michel Temer é prova de que o comportamento dos parlamentares é imprevisível. 

É muito cedo, e quase ingênuo, pedir agora um pacto pela governabilidade. Não há como ter qualquer acordo neste momento devido às feridas abertas, profundas, em ambos os lados. A disputa deve se intensificar ainda mais com o risco do país mergulhar em uma nova crise política e parar de vez. 
 

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